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Truculenta apreensão de queijos na capital do agronegócio gera discussão na internet

Consumo, Política, Queijo

25 de março de 2011

Fiscais do Procon estadual e da Vigilância Sanitária apreenderam 720 kg de queijo que foram levados para destruição no aterro sanitário

No dia 22 de fevereiro, o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Carlos Alberto Valera, com apoio da Vigilância Sanitária e da Polícia Militar, liderou uma grande operação de fiscalização em vários estabelecimentos comerciais de Uberaba-MG, que trabalham com a venda de queijos de leite cru.

Foram apreendidos 720 quilos de queijos comercializados em bancas, expostos à temperatura ambiente. A legislação exige  que o queijo artesanal estivesse refrigerado, embalado a vácuo, com informações nutricionais e de validade, além de selo de inspeção. Os comerciantes ficaram revoltados e alguns fecharam as portas.

O caso teve uma grande repercussão na mídia local e estadual. Audiências públicas se sucedem desde 18 de março, com a presença de representantes dos segmentos diretamente envolvidos: Emater, Instituto Mineiro de Agricultura (IMA), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uberaba, secretarias de Saúde e Agricultura, comerciantes, produtores, vereadores locais e de cidades vizinhas, deputados. E Leôncio Diamante, pela Sertãobras.

Queijos mandados para o aterro sanitário

Foi montada a chamada “Comissão do queijo”, formada por algumas das entidades citadas acima, cujo objetivo é orientar produtores e comerciantes do produto para se  adequarem à legislação estadual. A “Comissão do Queijo” ficará ainda responsável pela elaboração de uma proposta que será apresentada ao Ministério Público, com a intenção de que este último faça um Termo de Ajuste de Conduta, garantindo tempo ao pequeno produtor para se adequar à legislação. Segundo o deputado Paulo Piau, será marcada em Brasília uma audiência pública para discutir a legislação sobre o queijo.

Enquanto as autoridades se organizam, o caso continua mobilizando produtores e apreciadores do produto. Logo após a apreensão começou a se espalhar pela internet, com grande velocidade, um artigo – ora assinado por Luciano Borba, ora anônimo – cujo título é “O queijo assassino”. O texto tem um tom sarcástico, faz o leitor pensar se esse centenário queijo artesanal é realmente perigoso ou se assassinos são aqueles que tentam matar um patrimônio imaterial do Estado, reconhecido pelo Iphan.

Como disse a internauta Cleusa Diniz, “este texto retrata bem o fato de que toda atividade relacionada ao conhecimento tradicional, que mantém realmente a autonomia e sustentabilidade do empreendedor, é desinteressante ao sistema que vê o produtor dessa categoria, como um subversivo do mercado”.

Leia o texto na integra:

O queijo assassino

por Luciano Borba

Retirado do jornal Tribuna Livre,

de Ouro Preto

Na Terça, 22 de Fevereiro, em Uberaba houve uma “operação de guerra” na qual policiais militares devidamente armados, Procon estadual e vigilância sanitária derrotaram um bando de queijos. Os facínoras estavam expostos em bancas do comércio, principalmente no Mercado Municipal, ameaçando os clientes pois estavam despidos de uma embalagem à vácuo e pior, sequer portavam sua tabela de informações nutricionais.

A comunidade pode ficar tranquila, os heróis que defendem nossas vidas dos ataques desses queijos de péssima índole venceram, quase uma tonelada foi apreendida e destruída pois era “imprópria para o consumo”. Que bom que em meio a tantos estupros, arrombamentos, roubos de cargas, tráfico de drogas, sequestros e latrocínios ainda exista gente para nos proteger dos laticínios.

Ora autoridades, tenham um mínimo de bom senso, a fabricação e consumo de queijos é um costume milenar no mundo e multi secular em Minas. O nome diz, queijo mineiro, feito de leite de vaca, usando coalho que por sí só já é um agente biológico que o azeda.

Essa tradição, mais que centenária, nunca matou ninguém, meu trisavô já vendia queijos “marginais” em Dores do Indaiá e nunca foi tratado como bandido, ou será que devemos nos arrepender por todas as fatias que já engolimos, às vezes com goiabada caseira (também despida).

O queijo mineiro, principalmente da Serra da Canastra é apreciado como uma iguaria, porém se for levado à geladeira altera seu sabor original, como querem esses “soldados” que doam suas vidas, se preciso for, para nos livrar desse “venenoso alimento”.

Parece que o Procon não sabe, mas costumamos, “até mediante torturas físicas”, deixar os queijos expostos ao ambiente para que eles fiquem curados. O IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária), casa de burocratas, impõe que ele seja embalado à vácuo e que traga na embalagem informações nutricionais. A continuar nesse pique o pão francês será o próximo, imagine um pãozinho embalado individualmente, com uma tabelinha de nutrientes e data de validade para sabermos se ele está quente do forno ou não. Tratam-nos como se fossemos ignorantes e sequer soubéssemos escolher uma fruta, um doce ou um pé de alface, deixem disso, temos mais o que fazer.

Estão extinguindo as chances de sobrevivência do pequeno produtor rural, aquele mesmo que por falta de opção vai ser um João Ninguém na cidade onde seus filhos poderão exercer atividades menos regulamentadas como o tráfico. O excesso de normas inviabiliza os pequenos negócios em detrimento de grandes laticínios e hipermercados, portanto gera desemprego e tensão social.

Fica, para as autoridades, um questionamento do povo: Se prendem os queijos, porque não prendem os ratos?

Atualização (13/04/ 2011):  O texto saiu  publicado no Tribune Livre com a autoria de Luciano Borba por um equivoco interno do jornal. Dessa forma, a autoria do texto continua desconhecida.

Repercussão do texto na internet, entre blogueiros, consumidores e “sanitaristas”

Geraldo Porci de Araújo, blogueiro:

“Horror. Eu Geraldo Porci de Araújo, com 79 anos, trabalhei nas lavouras (rosa) durante 22 anos, sempre comendo queijos. E nunca vi falar que queijo matasse ninguém. Já vi queijos ficar velhos, alguns chegavam pegar bichos e ninguém comia. Estou vendo a maior injustiça com os produtores Rurais e os criadores de gados.”

Ranne Cássia, blogueira:

“Recebi um e-mail com esse texto, infelizmente sem mencionar a autoria, e achei super hiper mega relevante citá-lo aqui no blog… (…) Eu sou mineira… triangulina, na verdade… e como boa triangulina sou do tipo que preserva os costumes, as tradições… enfim… tão complicado… o queijo mineiro nunca precisou ficar à vácuo, sempre ficou exposto e ninguém nunca morreu no Triângulo Mineiro, por consumir queijo (inclusive, na roça, enquanto cura, fica cheio de mosquito em volta kkkk…. ai eu amo minhas minas gerais e seus queijos assassinos)…”

Joaquim Eustaquio de Souza Amado no site Rede de Inovação para Defesa Agropecuário:

“(…) um texto que mostra a todos nós a grande necessidade de um trabalho constante de educação sanitária. Muitos, assim como Liana, eu mesmo e provavelmente muitos outros profissionais Médicos Veterinários, que leram este artigo já se indignaram. Entretanto, talvez a nossa reação deva sim ser de reflexão.

O tipo de opinião manifestado pelo tal Autor Desconhecido, é justamente um eco da necessidade eminente da atuação do sistema de defesa agropecuária e dos formadores de opinião da área de ciências agrárias, engenharia de alimentos, nutrição e saúde pública, em se unir em contínuo e integrado esforço de educação sanitária.”

Liana, internauta, que comenta o texto no site Rede de Inovação para Defesa Agropecuário:

“Ainda bem que o autor é desconhecido, a ignorância é tanta, que dá até dó!!!! Nunca deve ter sido apresentado às listerias, salmonelas, coliformes, estafilococos, micobacterium… nunca deve ter consultado sobre os dados hospitalares e os dados da vigilância sanitária sobre o número de casos de toxinfecções alimentares, inclusive com casos de morte. Mas a vida é assim mesmo, quem quer escolher comer queijo, come queijo e quem quer escolher comer bosta, coma bosta… Por favor, repassem, quem sabe chega ao remetente, pois o mesmo não tem coragem se quer de se identificar…”

Márcio Adélio de Carvalho, outro comentarista do Rede de Inovação para Defesa Agropecuário:

“É bem característico de pessoas com menos instrução e conhecimento sobre os perigos e malefícios causados por alimentos sem as devidas características sanitárias próprias, sempre se passar por coitadinhos e perseguidos das organizações de saúde pública e fiscalização sanitária, nenhuma novidade, é aquela estória, eu podia estar roubando, matando… ora essa, um produto inadequado é inadequado, e pronto não interessa se é de um produtor grande ou pequeno, a saúde da população tem de ser preservada!!!”

Geraldo Magela Mota, blogueiro:

“Não podemos deixar de reconhecer que o nosso queijo está lutando para fazer valer o seu direito de ser “patrimônio cultural”, a exemplo do que já o é na “Vila do Príncipe”, conforme louvável determinação do Governador Anastasia. No entretanto, estão obrando ao contrário as demais “otoridades” que preferem militar a favor das empresas e suas corporações, que a favor dos interesses dos lavradores familiares, dos pequenos produtores e dos queijeiros artesanais.”

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Cresce o debate em torno dos queijos de leite cru nos EUA

Consumo, Política, Produção, Queijo

21 de março de 2011

Nos últimos meses avivou novamente a polêmica sobre a fabricação e o comércio de queijos de leite cru nos Estados Unidos. O foco da discussão agora é o propósito da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos no país, de endurecer as normas de segurança para a produção desse tipo de queijo. A FDA deseja prolongar de 60 para 90 dias a norma federal que impõe um prazo de maturação aos queijos de leite cru, antes de serem considerados seguros para o consumo.

O prolongamento do prazo faria com que queijos tradicionais, que não suportam um tempo mais longo – como o queijo azul ou o tipo taleggio -, desaparecessem nos EUA.

Nessa disputa, de um lado estão FDA e os grandes laticínios – diretamente interessados em diminuir o mercado dos queijos artesanais –, e do outro estão os produtores e apreciadores, mobilizados contra queijos menos saborosos e nem por isso mais seguros. William Newman publicou no New York Times, em 4 de fevereiro de 2011, uma matéria sobre o assunto.

Como afirma o autor, todo debate gira em torno de uma norma considerada um completo anacronismo. A norma dos 60 dias foi criada no final dos anos 40, sem grandes estudos, em resposta aos surtos de febre tifoide, associados ao consumo de queijo, e não condiz com a realidade atual americana.

Passados 70 anos, os agentes patogênicos que têm causado doenças nos EUA mudaram. Segundo a matéria, os atuais surtos que acontecem no país são causados por bactérias que eram desconhecidas na época da criação da norma, como a E. coli e listeria. Isso sem falar na enorme variedade de queijos existente, que requerem diferentes medidas de segurança e, portanto, prazos diferenciados.

Vale registrar que a legislação brasileira também exige 60 dias de maturação para os queijos de leite cru. Desde 1952, com o decreto n° 30.691 que regulamenta a inspeção sanitária de produtos de origem animal, o país adotou o padrão norte americano de produção de alimentos. Se a norma é considerada anacrônica para a realidade deles, imagina para a nossa, uma vez que copiamos o prazo sem levar em conta as especificidades do país.

Possibilidade de novas regras inquieta produtores de queijo de leite cru

Por William Newman, no New York Times, em 4 de fevereiro de 2011

Mateo H. Kehler produzindo o queijo Winnimere, feito com leite cru.

Órgãos reguladores dos Estados Unidos consideram a possibilidade de endurecer as normas de segurança alimentar para queijos feitos com leite não-pasteurizado; entre produtores e apreciadores, cresce a preocupação de que a consequência seja queijos menos saborosos e nem por isso mais seguros.

As novas propostas de regulação, aguardadas para os próximos meses, chegam após um ano muito difícil para a aquecida indústria de queijosgourmet, marcado por recalls e dois surtos de E. coli em vários estados, infectando cerca de 50 pessoas.

O leite não-pasteurizado, popularmente conhecido como leite cru, é apreciado por muitos queijeiros por ser responsável, segundo eles, por acrescentar especial riqueza ao sabor do produto.

O foco do debate é a norma federal que impõe aos queijos de leite cru o amadurecimento de 60 dias antes de serem considerados seguros para consumo. O leite cru não é aquecido para matar bactérias nocivas, em processo chamado de pasteurização. Porém, com o amadurecimento, substâncias químicas presentes no queijo, como os ácidos e sais, têm o tempo necessário para destruir essas bactérias.

Alguns cientistas, entretanto, acreditam que a norma dos 60 dias de envelhecimento seja demasiado simplista. Em parte, porque a enorme variedade de queijos existente pode requerer diferentes medidas de segurança.

A Agência para Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) começou em 2009 uma revisão desta norma. Funcionários da agência disseram que a revisão está pronta, aguardando apenas a aprovação para que seja divulgada.

Enquanto a FDA não mostra suas cartas, no setor há quem tema que todos os queijos de leite cru venham a ser banidos ou que alguns tipos de queijo considerados de maior risco não tenham mais permissão de ser feitos com leite cru. Outros acreditam que o período de envelhecimento pode ser estendido, possivelmente para 90 dias, o que dificultaria ou até mesmo impossibilitaria o uso de leite cru para alguns dos queijos mais populares, como o queijo azul ou o tipo taleggio, que talvez não se prestem a um amadurecimento mais longo.

Bill Desrochers e Riley Tetreault lavam peças do queijo Von Trapp Homestead Oma na fazenda Jasper Hill

“Um setor bastante importante e próspero da agricultura americana estaria ameaçado de ser comprometido ou de simplesmente desaparecer se o amadurecimento mínimo de 60 dias fosse elevado ou se queijos de leite cru fossem declarados ilegais,” diz Liz Thorpe, vice-presidente da Murray’s Cheese, varejista de Manhattan cuja metade dos queijos revendidos é de leite cru.

Mateo H. Kehler, coproprietário da Jasper Hill Farm em Greensboro, no estado de Vermont, produz queijos tanto de leite cru quanto de leite pasteurizado, mas considera o leite cru essencial para alguns de seus queijos mais populares. “Nosso receio é perder a oportunidade de produzir alguns de nossos produtos, mesmo os fazendo da maneira mais responsável possível”, diz Kehler.

A FDA já esteve em situação similar. A agência começou uma revisão dos queijos de leite cru mais de uma década atrás, mas o trabalho foi engavetado antes que chegasse a qualquer conclusão. Ainda assim, causou uma onda de preocupação sobre os queijos de leite cru importados e muitos apreciadores temiam que fossem proibidos.

Hoje, com o florescimento da indústria de queijos artesanais, o foco está nos produtores de queijo caseiro.

Os queijeiros dizem que a pasteurização do leite destrói enzimas e as boas bactérias que dão sabor ao queijo. Queijos de leite cru, dizem, apresentam sabores que derivam dos animais e dos pastos que produziram o leite, similarmente ao que se diz do vinho, que retira seus aromas de vinhedos específicos.

Os queijos feitos com leite pasteurizado também apresentam riscos à saúde se forem contaminados depois da fase de pasteurização – durante a produção ou amadurecimento, por exemplo. No ano passado, pelo menos nove produtores americanos de queijo fizeram grandes recalls. Cinco usavam leite pasteurizado e quatro, leite cru.

Dois dos recalls de queijo de leite cru aconteceram depois que o queijo foi associado a surtos de formas altamente tóxicas da bactéria E. coli.

Em um dos surtos, 38 pessoas em cinco estados americanos adoeceram por causa do queijo gouda de leite cru da Bravo Farms of Traver, na Califórnia, vendidos pela rede Costco. No segundo caso, oito pessoas em quatro estados adoeceram por causa de uma bactéria encontrada em queijos cremosos produzidos por Sally Jackson, uma pioneira na produção em Oroville, Washington.

Os técnicos ainda não afirmaram se nesses casos a contaminação esteve relacionada ao leite não-pasteurizado usado na produção do queijo. Entretanto, nenhum dos casos parece claramente pôr em questão a efetividade da norma dos 60 dias.

No caso da senhora Jackson, técnicos documentaram condições insalubres que podem ter influenciado nos riscos apresentados pelo queijo. No caso da Bravo, acusaram a companhia de embalar o produto para venda antes dos obrigatórios 60 dias de envelhecimento.

O curto tempo entre os dois surtos não podia ter sido pior para os produtores de queijo.

“As apostas estão altas”, disse Neville McNaughton, presidente da CheezSorce, consultoria em produção de queijos, e afirmou que o setor precisava apresentar melhorias significativas na segurança alimentar para além do envelhecimento dos produtos. Isso inclui a realização de testes do leite cru e dos produtos finais, além de assegurar uma melhor higiene. “A razão pela qual o setor pode vir a perder o direito de produzir queijo de leite cru é não ter conseguido provar que é seguro de um modo consistente.”

Todo este rebuliço se dá em torno de uma norma que alguns especialistas consideram um completo anacronismo. A norma da maturação foi criada no final dos anos 40 em resposta aos surtos de febre tifóide associados ao queijo.

Cientistas sabiam que queijos duros, como o cheddar, secavam ao envelhecer, o que os tornava menos receptivos a bactérias.

Por essa razão, os órgãos reguladores decidiram que, se o queijo não fosse feito com leite pasteurizado, deveria ser envelhecido. Mas a escolha do limite mínimo de 60 dias foi bastante arbitrária, de acordo com Dennis J. D’Amico, pesquisador sênior do Instituto Vermont de Queijo Artesanal da Universidade de Vermont.

Desde então, muita coisa mudou. Os agentes patogênicos primários que agora causam doenças associadas ao queijo, como formas tóxicas da E. coli e listeria, ou eram desconhecidas ou não causavam preocupação nos anos 40. E os queijeiros artesanais hoje produzem queijos cuja composição química difere enormemente daquela do cheddar duro básico de seis décadas atrás.

“A regra dos 60 dias não foi baseada em estudos realmente científicos,” afirmou D’Amico. “Os agentes patogênicos mudaram, assim como os queijos. Mas a regra não.”

D’Amico e Catherine W. Donnelly, codiretora do Instituto Vermont, publicaram um artigo no final do ano passado mostrando que a E. coli tóxica pode sobreviver no queijo por mais de um ano.

Outro estudo, que publicaram em 2008, mostrou que os níveis de listeria aumentam em queijos cremosos, como o brie, durante a sua maturação, tornando-os potencialmente mais perigosos. Estes queijos têm composição mais úmida e se tornam menos ácidos ao envelhecer, condições que podem favorecer o desenvolvimento de bactérias.

D’Amico afirma que o envelhecimento pode ser eficaz na salvaguarda de queijos duros, desde que associado a um controle cuidadoso da qualidade do leite, melhores condições sanitárias e a realização de testes nas fábricas de queijo.

David Gremmels, presidente da American Cheese Society, disse que o setor precisa provar aos órgãos reguladores que fará mais para melhorar a segurança.

“O queijo de leite cru chegou para ficar”, afirmou Gremmels, que também é coproprietário do Rogue Creamery em Central Point, Oregon. “É vital que todos aceitemos que sejam feitos testes do leite, do ambiente e do produto, para assegurar que os queijos em distribuição sejam seguros”.

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Intercâmbio Minas França 2009

Cultura, Política, Queijo

13 de novembro de 2009

A Sertãobras participa do Intercâmbio Brasil França de 14 a 29 de novembro de 2009.

O gerente administrativo da Fazenda Calciolândia Carlos Cambraia acompanha a comitiva de produtores de queijo e documenta os melhores momentos neste site:

Veja a comitiva brasileira.

de 14 a 29 de novembro de 2009

de 14 a 29 de novembro de 2009

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Em defesa do queijo artesanal

Política, Produção, Queijo

27 de agosto de 2008

Por Gabriel Donato Andrade
O Estado de Minas 27/8/08

Há uma pressão crescente da sociedade pela valorização do queijo-de-minas artesanal. É um produto nobre, expressão da nossa pequena agricultura familiar, que goza da singularidade que hoje é o elemento distintivo da produção agroalimentar moderna. Temos chances de criar, no Brasil, a mesma dinâmica virtuosa que, na Europa, impulsiona os chamados produtos de terroir. Lá, quem incentiva esse processo de modernização do artesanato agroalimentar é a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e órgãos governamentais especializados. No Brasil, o futuro ainda requer construção.

O recente processo de tombamento do queijo-de-minas artesanal, feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi passo importantíssimo no caminho a trilhar. Outro é a revisão do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). Posta em consulta pública, a proposta do governo recebeu inúmeras críticas e sugestões, que esperamos ser aproveitadas. Os pequenos agricultores, com razão, se sentem oprimidos por uma legislação que foi toda concebida pensando-se nas condições de operação da grande indústria alimentar a que eles não conseguem atender. Falta de apoio técnico, financiamento público e capacitação são algumas das razões desse descompasso, que não se resolve apenas com leis. Mas o mais importante é que o poder público se dê conta de que tem em mãos a chance de dar um passo decisivo em direção à construção de um moderno segmento de artesanato agroalimentar. Isso começa por não tratar como igual coisas que são tão distintas.

No documento posto em consulta pública, a definição de queijaria, por exemplo, foi a de que “é o estabelecimento situado em fazenda leiteira e destinado à fabricação de queijo-de-minas, devidamente relacionado no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e filiado a entrepostos de laticínios registrados no órgão, nos quais será complementado o preparo do produto com sua maturação, embalagem e rotulagem, e só podem funcionar […] para manipulação de leite da própria fazenda e quando essa matéria-prima não possa ser enviada para postos de refrigeração, usina de beneficiamento e fábrica de produtos lácteos”. O governo ainda pretende que as queijarias artesanais desapareçam à medida que a grande indústria de laticínios se expanda e transforme o pequeno produtor apenas em fornecedor de leite. Trata-se evidentemente de um abuso do poder de Estado, ao definir a queijaria como uma instituição transitória, cujo direito a existir cessa quando se instale, nas suas imediações, uma indústria de laticínios.

Há também a exigência de 60 dias para maturação do queijo antes de sua comercialização. Estudos científicos recentes mostram que esse prazo é exagerado do ponto de vista das necessidades fitossanitárias. É preciso alterar isso também, visto que o mercado exige majoritariamente o queijo mais fresco, o que faz com que haja enorme comércio clandestino desse produto que não atende à exigência legal. Assim, flexibilizar a norma que cientificamente já não tem razão de ser é abrir a possibilidade de melhor zelar pela saúde pública, diminuindo o comércio clandestino, esse, sim, totalmente descontrolado do ponto de vista sanitário. Questões assim indicam que o governo precisa ousar mais, definindo um estatuto da pequena produção agroalimentar distinto daquele da grande indústria, de modo a tratar de forma condigna coisas que são diferentes. Se a pequena agricultura tivesse o próprio Riispoa, a exemplo de outras legislações sobre agricultura familiar sustentável, certamente a modernização viria a galope, pois sua discussão não emperraria por ter que se aplicar simultaneamente à grande indústria agroalimentar, como ocorre hoje.

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