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Queijo
Categoria

Viagem do queijo à França 2009

Produção, Queijo

30 de outubro de 2009

A Agrifert promove, de 14 a 30 de novembro, uma viagem de produtores, intermediadores e administradores da cadeia do queijo brasileiro até a França, a fim  de melhor organizar a legislação para beneficiar pequenos agricultores.

Mais informações pelo e-mail agrifert@terra.com.br

Veja o projeto completo de Intercâmbio Brasil/França.

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Em defesa do queijo artesanal

Política, Produção, Queijo

27 de agosto de 2008

Por Gabriel Donato Andrade
O Estado de Minas 27/8/08

Há uma pressão crescente da sociedade pela valorização do queijo-de-minas artesanal. É um produto nobre, expressão da nossa pequena agricultura familiar, que goza da singularidade que hoje é o elemento distintivo da produção agroalimentar moderna. Temos chances de criar, no Brasil, a mesma dinâmica virtuosa que, na Europa, impulsiona os chamados produtos de terroir. Lá, quem incentiva esse processo de modernização do artesanato agroalimentar é a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e órgãos governamentais especializados. No Brasil, o futuro ainda requer construção.

O recente processo de tombamento do queijo-de-minas artesanal, feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi passo importantíssimo no caminho a trilhar. Outro é a revisão do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). Posta em consulta pública, a proposta do governo recebeu inúmeras críticas e sugestões, que esperamos ser aproveitadas. Os pequenos agricultores, com razão, se sentem oprimidos por uma legislação que foi toda concebida pensando-se nas condições de operação da grande indústria alimentar a que eles não conseguem atender. Falta de apoio técnico, financiamento público e capacitação são algumas das razões desse descompasso, que não se resolve apenas com leis. Mas o mais importante é que o poder público se dê conta de que tem em mãos a chance de dar um passo decisivo em direção à construção de um moderno segmento de artesanato agroalimentar. Isso começa por não tratar como igual coisas que são tão distintas.

No documento posto em consulta pública, a definição de queijaria, por exemplo, foi a de que “é o estabelecimento situado em fazenda leiteira e destinado à fabricação de queijo-de-minas, devidamente relacionado no Serviço de Inspeção Federal (SIF) e filiado a entrepostos de laticínios registrados no órgão, nos quais será complementado o preparo do produto com sua maturação, embalagem e rotulagem, e só podem funcionar […] para manipulação de leite da própria fazenda e quando essa matéria-prima não possa ser enviada para postos de refrigeração, usina de beneficiamento e fábrica de produtos lácteos”. O governo ainda pretende que as queijarias artesanais desapareçam à medida que a grande indústria de laticínios se expanda e transforme o pequeno produtor apenas em fornecedor de leite. Trata-se evidentemente de um abuso do poder de Estado, ao definir a queijaria como uma instituição transitória, cujo direito a existir cessa quando se instale, nas suas imediações, uma indústria de laticínios.

Há também a exigência de 60 dias para maturação do queijo antes de sua comercialização. Estudos científicos recentes mostram que esse prazo é exagerado do ponto de vista das necessidades fitossanitárias. É preciso alterar isso também, visto que o mercado exige majoritariamente o queijo mais fresco, o que faz com que haja enorme comércio clandestino desse produto que não atende à exigência legal. Assim, flexibilizar a norma que cientificamente já não tem razão de ser é abrir a possibilidade de melhor zelar pela saúde pública, diminuindo o comércio clandestino, esse, sim, totalmente descontrolado do ponto de vista sanitário. Questões assim indicam que o governo precisa ousar mais, definindo um estatuto da pequena produção agroalimentar distinto daquele da grande indústria, de modo a tratar de forma condigna coisas que são diferentes. Se a pequena agricultura tivesse o próprio Riispoa, a exemplo de outras legislações sobre agricultura familiar sustentável, certamente a modernização viria a galope, pois sua discussão não emperraria por ter que se aplicar simultaneamente à grande indústria agroalimentar, como ocorre hoje.

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Festa e concurso de produtores de queijo no Serro

Cultura, Queijo

10 de outubro de 2001

Marcelle Pazito, para Sertãobras

Na cidade do Serro-MG, a tradicional festa reuniu perto de 4 mil visitantes (Foto L.C.Dupin/INPI)

Entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro foi realizada no Serro, cidade no centro-nordeste de Minas Gerais, a 27ª Festa do Queijo. Jorge Brandão Simões, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Serro (Apaqs), diz que a participação foi a maior dos últimos anos, contando com cerca de 4 mil pessoas nos cinco dias do evento.

Da programação constou o Concurso do Queijo, com a participação de dez municípios da região com três representantes de cada um deles. O júri, formado por membros da Emater, Ministério da Agricultura e universidades, avaliou a apresentação do produto, seu aspecto físico, coloração, textura, odor e sabor. O vencedor deste ano foi João Valter Miranda, de Alvorada de Minas, que ganhou um certificado de qualidade e procedência de seu queijo, além de outros prêmios.

De acordo com Simões, o maior objetivo do concurso é atestar a qualidade e mostrar que existe um padrão de produção nos queijos da região.

Foram avaliados, no Serro-MG, queijos de produtores que representaram dez municípios da região (Foto Apaqs)

Para o próximo ano, sua expectativa é de que a Festa seja ainda maior e conte com a inauguração da Casa do Queijo, um museu que contará sua história e toda a rica cultura que o envolve.

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Eta queijo bão!!!!!

Cultura, Queijo

5 de outubro de 2001

Nina Horta, Blogs da Folha

 Publicação em 3 de outubro de 2011

 Assisti o documentário”O mineiro e o queijo”, de 72 min, 2011,  de Helvécio Ratton. Todos os jornais já falaram do filme, da incoerência entre a legislação federal e a estadual. O queijo feito em Minas com leite cru não pode ser vendido em outros estados do Brasil, nem fora, para o estrangeiro. E por isso comemos queijos artesanais franceses, caríssimos, pois lá conseguiram ganhar a batalha contra as leis ligadas ao queijo pasteurizado, ao entenderem o valor do produto artesanal.

A impressão que dá é de um nó quase cego. De um lado os queijeiros, com suas microqueijarias, muito limpas, tentando obedecer a todas as leis de higiene e do outro lado o poder público entravado em burocracia e falta de pesquisa, alheio à modernidade e à necessidade de criar uma lei que não deixe morrer este artesanato.

O próprio filme pode e vai contribuir para que as pessoas se interessem pelo assunto que nos passa desapercebido enquanto comemos queijos brancos mineiros com sabor padronizado. Os mineiros, com sua verve também chamam a atenção para o seu fraco poder de marketing ou de lobby. Sabem fazer o queijo, querem fazer o queijo, mas o resto…que preguiça.

O engraçado é que quando um mineiro vem me visitar traz um queijo daqueles contrabandeado na mala, mineiro quer mais é comer queijo bom. Uma das pessoas entrevistadas se intriga- “Pois não é que todo mineiro sempre comeu queijo e não me consta que nenhum tenha morrido por causa disso.” E dá aquela risadinha de Carlos Drummond de Andrade, de um lado só, tampando a boca.

As mulheres se parecem todas com Adélia Prado, são poetas na sua língua mineira e nos seus queijos.

Quem assiste a esses documentários franceses clamando por seus terroirs vai sentir a semelhança. Não são franceses, mas tem o mesmo linguajar peculiar, o mesmo amor à profissão, quase paixão, a mesma sabedoria e savoir faire.  Descrevem o terroir assim: “o queijo da gente nunca é igual. Aprendemos com as mesmas pessoas, usamos o leite de vacas semelhantes,  um queijeiro é amigo do outro, mas às vezes o lugar tem uma árvore a mais que dá sombra na queijaria, ou um capim mais gorduroso, ou a mão mesmo de quem faz é mais quente ou mais fria e o queijo sai diferente. E muito bom.  Sem comparação com queijo industrializado”

E é bonito ver aqueles morros ondeantes, as estradas de terra, a galinhada solta, as casinhas toscas mas escrupulosamente limpas. E o cenário lindo é Minas e somos capazes de perceber que aquilo é terra e gente brasileira onde quer que estivermos. Como diz um dos entrevistados. Estes queijos não são bons só para a barriga, são bons para dar identidade, permitir que as pessoas continuem fixadas nos lugares onde nasceram e trabalham, sustentando dignamente a família. É bom pra depressão, fazer queijo bom ou qualquer coisa boa com as mãos põe a tristeza a fugir.

O lucro deles é pequeno, às vezes nenhum. É uma atividade quase que amorosa esta profissão que vem do tataravô, morando nas pirambeiras e trazendo o queijo para vender na costas dos burros.

Poderiam vender o leite, dá menos trabalho e mais lucro. A faina do queijo é coisa de dia inteiro, mantém a fazenda viva, (dizem eles), fazenda só de leite é uma sem graceza só, comentam eles. Nada acontece, só tirar aquele leite de manhã e pronto.

O processo é lindo, o leite jorrando, a coagulação, a prensa e a salga. Os vendedores entendem de cada queijo já pronto, um deles mostra antes de cortar com a faca o que vai achar lá dentro. “A massa desse está soando oca, não tem buracos, está denso”, e acerta.O outro faz um barulhinho diferente vai-se ver tem mais buracos.

Enfim é todo um emaranhado de saberes que pode se perder por preguiça de…nós todos.

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