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50 tons de queijos brasileiros no Mundial do Queijo da França

Concurso, Consumo, Cultura, Destaque, Queijo

14 de junho de 2019

Queijo de casca mofada de todas as cores, queijos de cabra, queijo coalho do nordeste, queijos com recheios, passados no cacau, no óleo de pequi, recheado com nozes e damasco… “A cena do queijo brasileiro não é mais só o queijo Minas artesanal, vemos uma diversidade muito maior” observou a mestra queijeira Claudine Vigier Barthélemy, que vem ao Brasil em agosto em uma viagem da delegação da Guilde Internationale des Fromagers para conhecer de perto as nuances do nosso queijo.

Algumas mesas do concurso de queijos e produtos lácteos de Tours.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

Em 2017, só participaram do concurso produtores de Minas Gerais e a maioria dos queijos foi o minas artesanal. Esse ano, embora as duas campeões de volume de queijo apresentado no concurso tenham sido as associações da Canastra (Aprocan) e Serro (Apaqs), com 35 e 24 peças respectivamente, teve queijo coalho, queijo de cabra do Rancho das Vertentes (ganhou ouro), queijo de búfala da Ilha de Marajó (ganhou prata), os queijos paulistas de leite de vacas Gir e Jersey da Pardinho, como o Cuesta (que ganhou super ouro) e o queijo Sinueiro de kefir da Bela Fazenda (prata). Lista completa das medalhas de brasileiros (PDF).

Os brasileiros Marcus Pinheiro, da Ilha de Marajó (esquerda) e Vanessa Alcoléa da Pardinho foram jurados no concurso. FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“Quem é o representante comercial que exporta seus queijos?” Foi a pergunta mais ouvida pelos brasileiros, feita pelos donos de lojas de queijos e distribuidores que passaram para provar. Não temos legislação que valorize esses queijos e permita vender. “E como seus queijos entraram na França?” era naturalmente a questão seguinte. Isso ainda nos constrange, entraram nas malas, escondidos.

Os brasileiros Ligia Falcone e Edson Cardoso (à esquerda) também foram jurados.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

OURO BRANCO BRASILEIRO

“De tanto que essa legislação ainda atrapalha, ela acaba ajudando. Ela faz nascer na gente um sentimento de resistência, a coragem de atravessar fronteiras com nosso ouro branco” disse um produtor que não quis se identificar. Por outro lado, essa ação gera desconforto. Ninguém gosta de ser clandestino.

O russo brasileiro Mark Rozhanskiy observa um queijo em sua mesa.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

A alegria dos brasileiros, chorando em frente ao comissariado do concurso na hora da publicação dos resultados, foi contagiante. “Sentimos que colaboramos para o crescimento do queijo brasileiro e isso nos motiva, sabemos que muitos produtores enfrentam exigências sanitárias muito rígidas para terem sua certificação sanitária e que o reconhecimento internacional ajuda a validar a saúde desses queijos” disse Michel Lefevre, comissário do concurso.

A mineira Marly Leite, de Sacramento, foi jurada com dois colegas suíços.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“Que prazer ver que vocês estão melhorando muito em técnicas de cura” disse Fabienne Effertz, jurada belga que julgou o capim canastra, primeiro queijo brasileiro a ganhar medalha na França em 2015. “ É incrível ver que vocês conservam o gosto exótico e selvagem do terroir brasileiro, de vacas que dão um excelente leite, é muito perceptível o sabor diferenciado” disse ela.

Christelle Lorho, campeã do concurso de MOF em 2019, foi homenageada com uma cesta de queijos e produtos brasileiros quando passou no stand e provou cada um dos queijos. “Nunca recebi na minha vida tanto carinho de um grupo de produtores como vocês, estou muito motivada e chegar no Brasil em agosto” disse ela.

A diversidade de sabores fervilhou com as degustações propostas no stand para os visitantes, com alimentos bem brasileiros: cachaças, caju seco como ameixa com queijo coalho artesanal do Rio Grande do Norte, mel de jandaíra com o queijo paraibano Serro do Pico, pimenta biquinho com queijo Bem Dito de Goiás …

O queijo Bem Dito, do produtor Fabiano Dias de Goiás foi comparado a um queijo reblochon, pela sua cremosidade e cobertura branca. FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“A sorte do nosso stand foi que ficamos em frente a um outro de geléias de frutas e doces artesanais em barras” disse Maricell Hussein, produtora de leite em Araxá. Ela já fez queijo há 20 anos, mas desistiu com as dificuldades da legislação. “Hoje vender nossa produção diária de 2 mil litros para a cooperativa dói no bolso, estamos mudando de ideia para começar a fabricar, fiquei muito curiosa para conhecer novos queijos em um grande salão e sair do minas tradicional, que já tem muita gente produzindo historicamente” disse ela. Depois do mundial, ela vai fazer um curso intensivo de cura “para poder escolher qual queijo quero fazer” disse Maricell.

Marcus Pinheiro (Ilha de Marajó), Rolando Barthélemy (Guilde des Fromagers), Cecília Pinheiro (Ilha de Marajó), Débora Pereira (SerTãoBras) e Michel Lefevre (comissário do concurso). FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

Um dos queijos que causou mais admiração foi o da Ilha de Marajó, dos produtores Marcus e Cecília Pinheiro. “Essa tecnologia de fabricação não existe no Brasil, uma massa láctica desnatada que fermenta naturalmente por horas e em seguida é dessorada e esfarinhada como um queijo cheddar, para de novo ser enriquecida em creme e cozida, é incrível, não temos nada igual por aqui” disse Laurent Mons, diretor do centro de formação Mons para profissionais.

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Armazém Daíza

Comerciantes-mapa, Consumo, Produtores-mapa, Queijo

15 de abril de 2019

O Armazem Daíza é uma história de amor pelos queijos e produtos regionais começada em novembro de 2017.

No começo o Armazém era ambulante. Maria Luiza Valente levava seus produtos aos clientes de Kombi, indo de condomínio a condomínio, o que até hoje faz parte do seu dia-a-dia.

A ideia da Kombi surgiu no dia que eu fui dispensada do meu trabalho e passei na padaria e não encontrava vaga para estacionar. Pensei no quanto era prático o esquema de comércio ambulante que existia na época da minha infância, quando minha mãe comprava pão, leite, carne e verduras na porta de casa. ” Maria Luiza.

Com a necessidade de ampliar os negócios e melhor atender o público, em março de 2018, Maria Luiza e seu marido decidiram abrir um pequeno ponto fixo com uma vitrine cheia de queijos.

A loja foi estabelecida como uma filial da Kombi , contando com ajuda de um funcionário, disponibilizando maior quantidade de produtos por ter mais espaço, sem contudo alteração na qualidade.

“A necessidade de ter um espaço fixo, veio com a descoberta de vários queijos, que ficavam difíceis de carregar e expor na Kombi.”
Maria Luiza

Fotografia: Armazém Daíza

E a variedade é grande !  O Armazém revende queijos  de leite de vaca, de búfala, de cabra de diversas origens. Os tradicionais da Serra da Canastra e Serro, os frescos feitos  na região, da Serra das Antas, e os paulistas Pardinho Artesanal e Pé do Morro.

Lá você ainda pode encontrar vinhos, cachaça, cervejas artesanais, cafés, doces David, Rocca, geleias Mermeleia, Do Bem, sucos, massas, molhos e biscoitos.

Vale a pena conhecer e experimentar a extensa variedade de produtos artesanais desse Armazém!

Contato:

Endereço:  Rua Padre Teixeira, n° 2580, São Carlos, SP, cep 13560210

Telefone (16) 98126-5972

Site: https://armazem-daiza.negocio.site/

Facebook: https://www.facebook.com/armazemdaiza/

Instagram: http://instagram.com/armazemdaiza

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Mundial do Queijo do Brasil

Concurso, Consumo, Destaque, França, Oropa, Para Produtores, Queijo

22 de janeiro de 2019

Araxá, em Minas Gerais, será palco do primeiro concurso de queijos brasileiro que vai acolher produtos nacionais e estrangeiros nos dias 9 e 10 de agosto de 2019. O evento será realizado pela SerTãoBras com apoio da Guilde Internationale des Fromagers e da Aqmara – Associação dos Produtores do Queijo Araxá.

Para a ocasião, está prevista a visita de uma comitiva da Guilde des Fromagers, dirigida pelo queijeiro francês Roland Barthélemy, que também é presidente do concurso de produtos do Mundial de Queijos de Tours, na França. Os produtores de Araxáestão dando todo apoio para receber a comitiva internacional de queijeiros.

O Mundial do Queijo do Brasil  em Araxávai elevar o reconhecimento da nossa cultura queijeira através de um concurso com a presença de um corpo de jurados de origem eclética de diversos países: produtores artesanais e industriais, maturadores,  comerciantes e chefs de cozinha e jornalistas de gastronomia.

O objetivo é  colocar os queijos brasileiros lado a lado com  queijos internacionais, sem distinção de origem ou tecnologia queijeira, para reconhecer a excelência dos melhores queijos.

CONTEXTO:
Enquanto alguns queijos são símbolo de tradição, outros conquistam corações em processos inovadores e muita criatividade.

O queijo brasileiro brilhou no Mundial do Queijo de Tours, na França em 2017, quando produtores mineiros ganharam doze medalhas. O sucesso atraiu a atenção da comunidade queijeira internacional.

Por isso, a Guilde Internationale de Fromagers, associação que reúne mais de 6 mil membros no mundo inteiro, vai realizar uma viagem para conhecer regiões queijeiras brasileiras de 4 a 14 de agosto de 2019.

Sua instituição quer ser parceira?
Contate a Bonare Eventos
e receba o kit mídia para participar!
Maricell Hussein
34 998301828 Whatsapp
[email protected]

Esperamos com esse evento…

>>Fortalecer a cultura queijeira de Araxá, de Minas Gerais e de todo  Brasil.
>>Ajudar na permanência do homem no campo, preservando sua cultura e seu saber fazer.
>>Inspirar a nova classe de curadores para motivar  a busca de novos sabores!

Mais informações sobre o regulamento
e as inscrições na primeira semana de fevereiro!

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Cartilha para aproveitar o soro do leite

Consumo, Destaque, Para Produtores, Pesquisa, Produção, Queijo

20 de dezembro de 2018

O aproveitamento do soro para fazer outros alimentos pode ser uma nova fonte de renda para as produtores e reduz a poluição. Quando pequenos produtores e agroindústrias alimentares não têm estações de tratamento para descartar o líquido, ele pode ser muito nocivo, pois ao ser degradado exige muito oxigênio pode asfixiar peixes e prejudicar a flora dos rios.

Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Engenharia de Alimentos da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná elaborou uma cartilha para aproveitamento do soro. O resultado é fruto de um trabalho com os produtores de queijo da região Sudoeste do Paraná, em que foi diagnosticado o destino do soro das agroindústrias. Os produtores também foram orientados quanto à qualidade nutricional, benefícios à saúde, aspectos ambientais e formas de aproveitamento do soro de leite. 

Oficina em outubro 2018 sobre aproveitamento do soro de leite na agroindústria. Participaram produtores de queijo da região e técnicos da extensão rural (Emater-PR).
FOTO: Fabiane Picinin de Castro Cislaghi

Cartilha:
Aproveitamento do Soro de Leite nas Agroindústrias (em PDF:)

Entrevista: Fabiane Picinin

Qual a sua formação, o seu percurso profissional e quando você começou a se interessar por queijo em sua vida?

A pesquisadora Fabiane Picinin de Castro Cislaghi. FOTO: Acervo Pessoal

Fiz graduação em Farmácia – Tecnologia dos Alimentos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no RS. Nos últimos anos da graduação, comecei a trabalhar com análises microbiológicas de leite e fiz estágio na Usina Escola de Laticínios da UFSM. Desde aquele momento soube que queria seguir na área de lácteos. Entrei no Mestrado em Ciência de Alimentos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Meu projeto foi desenvolvimento de bebida láctea fermentada, com soro de leite, probióticos e prebióticos. Durante o mestrado, fiz estágio de docência e ali que percebi que queria ser professora. No doutorado, também na UFSC, segui trabalhando com soro de leite, desta vez utilizando-o na microencapsulação de probióticos por spray dryer

Quando estava no segundo ano do doutorado, soube do concurso público para docente na UTFPR-FB, para a área de Leite e derivados. Naquele momento pensei: “Esse é o concurso da minha vida”, pois geralmente os concursos para docente eram na área de Alimentos e não tão específicos para lácteos. Passei no concurso e vim morar em Francisco Beltrão-PR. Terminei o doutorado à distância, indo a Florianópolis em todos os feriados e “férias” naquele período. 

Comecei ministrando as disciplinas “Tecnologia de Queijos” e “Tecnologia de Lácteos Fermentados” na graduação em Tecnologia de Alimentos. Fui estudando cada vez mais, me aprofundando, comprando livros (aliás, ainda continuo comprando muitos), participando de eventos e cursos, orientando alunos de TCC, iniciação científica, especialização e mestrado. 

Aos poucos fui conseguindo fazer pesquisa e extensão, conhecendo a região e suas demandas, os produtores, os órgãos parceiros (como Emater e MAPA), etc. 

Por que você decidiu pesquisar o queijo artesanal Colonial? Qual a sua relação com os produtores?

O queijo Colonial artesanal é um produto típico da região Sul, muito consumido aqui na região Sudoeste do Paraná e é parte importante da renda de muitas famílias. É fabricado com leite cru e maturado por cerca de 10 a 20 dias. 

Já vínhamos fazendo alguns trabalhos mais pontuais com o queijo Colonial, mas em 2016 foi criado um Grupo de Trabalho para Valorização e legalização do queijo Colonial do Sudoeste do Paraná. Percebemos que se não fizéssemos alguma coisa, o queijo Colonial não sobreviveria por muito tempo. Mas sabíamos das dificuldades que encontraríamos e do longo caminho que teríamos (e temos ainda). Desde lá, temos buscado fomento de diferentes fontes, público e privado, a fim de ampliar nossos estudos. Temos o apoio de diversos órgãos regionais e estaduais e principalmente dos produtores, que nos recebem muito bem, confiam no nosso trabalho e sabem que queremos o melhor para a região.     

Qual a sua descoberta mais importante durante suas pesquisas? E sua maior frustração ou preocupação? 

Acho que é mais uma reafirmação do que descoberta: que o leite cru em si não é o problema. Pode-se fazer queijos excelentes tanto do ponto de vista sensorial quanto higiênico-sanitário a partir do leite cru, desde que sejam observadas as devidas normas e Boas Práticas de Fabricação (BPF). Temos feito análises microbiológicas de muitos queijos e alguns resultados nos surpreendem…queijos feitos com leite pasteurizado com elevada contaminação. Tenho usado uma frase: “A pasteurização não salva” (rsrs), ou seja, a qualidade da matéria-prima, a higiene e BPF são fundamentais. 

Quanto à frustração/preocupação é a de escassez de recursos, investimentos para pesquisa no Brasil. Gostaríamos de estruturar melhor o laboratório, expandir o número de produtores atendidos nos cursos de qualificação, etc. Entendemos que pesquisas como essa são capazes de promover o desenvolvimento de uma região e talvez até mudar o destino de algumas famílias.  

Produtoss feitas na oficina.
FOTO: Fabiane Picinin de Castro Cislaghi

Equipe 
do projeto

  • Profa. Dra. Fabiane Picinin de Castro Cislaghi – coordenador, docente do curso de Engenharia de Alimentos da UTFPR-FB
  • Profa. Dra. Andréa Cátia Leal Badaró – docente do curso de Engenharia de Alimentos da UTFPR-FB
  • Profa. Dra. Ellen Porto Pinto – docente do curso de Engenharia de Alimentos da UTFPR-FB
  • Larissa Scarabotto – aluna do curso de Engenharia de Alimentos da UTFPR-FB, bolsista PROREC/Fundação Araucária 

O projeto foi realizado no Departamento de Engenharia de Alimentos da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Francisco Beltrão, com o apoio da Fundação Araucária (concessão de bolsa), que desenvolve o projeto de pesquisa e extensão “Aproveitamento do soro de leite nas agroindústrias”.

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Queijo d’Alagoa comemora aniversário com presente aos clientes

Consumo, Cultura, Queijo

26 de novembro de 2018

Tinha que ser em Minas Gerais. O Estado que é rico em belezas naturais e detentor de uma gastronomia valiosa deixou de esconder nos seios das montanhas mais altas e frias da Serra da Mantiqueira o seu bem mais precioso: o Queijo Artesanal Alagoa. Que ganhou o mundo, literalmente, através da internet.

A produção do queijo é centenária em Alagoa, cidadezinha de 2.400 habitantes no sul mineiro. Começou com um italiano Paschoal Poppa, sapateiro, e sua esposa Luiza Altemare, professora. O que era pra ser um experimento e complemento de renda virou tradição e hoje é patrimônio histórico-cultural no município.

Por muitos anos a produção era escoada num raio variável de 250km e o queijo era conhecido como “parmesão”. Em 2009, esta história começou a mudar.

O alagoense Osvaldo Martins de Barros Filho, bisneto de tropeiro – seu bisavô Jeremias Sene colocava os queijos dentro de balaios de bambu e levava em cima dos lombos dos burros – depois de fazer uma visita na casa do produtor Batistinha e tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas ficou incomodado com a situação. Passou a pensar em fazer alguma coisa pra mudar aquela realidade. Foi aí que ouviu uma voz insistente na sua cabeça: “Venda queijo pela internet”.

“Meu Deus, estou ficando doido”, relembra Osvaldo. E a voz repetiu: “Venda queijo pela internet”. Com este insight procurou o SEBRAE-MG e recebeu instruções sobre plano de negócios e e-commerce. Em seguida foi até aos Correios para ver a possibilidade de envio: “Não tem restrição de enviar queijos. Se não é proibido, é permitido” autorizou a funcionária.

Osvaldo Filho e sr. Batistinha. Foto: Divulgação

Deste jeitinho, em Novembro de 2009 nasceu a QUEIJO D’ALAGOA-MG. Nos primeiros dois meses, 3 pecinhas de queijo foram vendidas. Em 2010, o mineiro levou o “parmesão” em São Paulo para que o Bruno Cabral, Mestre Queijeiro pudesse provar. No estacionamento do Habib’s, na Av. Edgar Facoh, Cabral sacramentou: “Isso aqui não é parmesão nem aqui e nem na China! É um baita queijo brasileiro!” Desde então, Osvaldo passou a defender o Queijo Artesanal Alagoa, que é feito apenas com leite cru, fermento lácteo natural, coalho e sal.

Ao longo destes 9 anos de estrada muita coisa boa aconteceu. Dentre vários prêmios, é importante ressaltar a medalha de Bronze conquistada no Mundial du Fromage, na França, destacando-se entre mais de 600 queijos de 42 Países, em junho de 2017. No mesmo ano, o Queijo Faixa Dourada recebeu Medalha de Ouro e recebeu também o Troféu Super Ouro, sendo considerado o Melhor Queijo Artesanal de Leite Cru do Brasil.

Em abril de 2018 a QUEIJO D’ALAGOA-MG recebeu o Prêmio Melhores do Ano da Revista Prazeres da Mesa. Em setembro, foi o case de sucesso do Sebrae Nacional no portal G1 por contribuir com o desenvolvimento local. No começo de novembro, a Queijo d’Alagoa-MG recebeu 4 medalhas durante o IV Prêmio Queijos Brasil: 2 de ouro, 1 de Prata e 1 de Bronze.

Para comemorar o aniversário o clima não poderia ser mais festivo: vários produtos da loja virtual estão com descontos durante todo o mês de novembro. Além de ser oferecida uma vaga para Degustador(a) de Queijo. Interessados não precisam ter experiência, não precisam enviar currículo, podem trabalhar na própria casa e em qualquer horário. A seleção será feita via sorteio através deste link.

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Entenda como a certificação de origem pode proteger o queijo canastra

Consumo, Queijo

28 de dezembro de 2017

Há alguns dias, João Leite produtor de queijo da Canastra se deparou com uma cena indecorosa em um hotel ao lado do aeroporto de Confins em Belo Horizonte. No café da manhã, uma mesa de queijo industriais de leite pasteurizado feitos por um laticínio de Piumhi anunciava com um grande banner “queijos região da Serra da Canastra”. “– Isso é um crime contra nosso patrimônio!” reclamou João. A montagem exposta na propaganda utilizou ainda uma foto da sala de cura de queijos do próprio João, publicada pela SerTãoBras.

Mas por que isso é um crime? O advogado Fabrício Welge, especialista em Direito Intelectual, nos explica nessa entrevista exclusiva as particularidades e direitos de um produto que tem sua origem certificada.

Quem pode legalmente usar hoje em dia a marca “região da Canastra” nos seus queijos? 

FW: Primeiramente, é importante fazer uma distinção entre indicação geográfica CANASTRA e a marca REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA.

A Indicação geográfica designa um produto pelo seu nome geográfico como originário de uma área delimitada quando determinada reputação, qualidade ou características são atribuídas a esta origem geográfica.

A indicação geográfica se divide em duas espécies; indicação de procedência e denominação de origem. Em breve síntese, a indicação de procedência exige que o local seja famoso pelo seu produto, na denominação de origem se comprova o vínculo do produto com o meio geográfico, pelos fatores naturais e humanos.

Nesse sentido, o nome geográfico CANASTRA foi reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, como indicação geográfica, na modalidade indicação de procedência, através de processo de registro número IG201002, para o produto queijo feito de leite cru, produzido em uma área delimitada que compreende os municípios de Piumhi, Vargem Bonita, São Roque de Minas, Medeiros, Bambui, Tapirai e Delfinópolis, com uma área total de 7.452 Km², tendo como requerente do pedido a Associação dos Produtores de Queijo Canastra (APROCAN), em 13 de março de 2012.

A Indicação geográfica CANASTRA é um direito de todos os produtores que estão estabelecidos na região, associados ou não a APROCAN. No entanto, devem cumprir com o Regulamento de uso da Indicação geográfica, como está devidamente registrado junto ao INPI.

Atentamos que o Regulamento de uso da Indicação geográfica CANASTRA não estabeleceu nenhum critério além da legislação para a produção do queijo feito de leite cru. O Regulamento de uso descreveu o saber fazer do queijo feito de leite cru e implementou normas de controle para garantir a origem do queijo.  

Ou seja, qualquer produtor de queijo feito de leite cru, tem o direito de usar o nome geográfico CANASTRA em seus queijos, rótulos ou embalagens, desde que legalizado e submetido ao controle que é realizado pela APROCAN, visto que é a entidade gestora da Indicação geográfica.

Apesar do registro junto ao INPI, o processo de controle ainda está sendo implementado pela APROCAN. O controle será feito através de placas de caseínas com o nome geográfico CANASTRA e uma numeração para identificar o produtor e lote de produção, garantido a origem e a qualidade do queijo.   

REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA, por sua vez, é uma marca coletiva registrada em nome da APROCAN. A marca coletiva é aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade.  

Neste caso, somente os associados da APROCAN podem usar a marca coletiva REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA. A finalidade da APROCAN com a marca coletiva é fortalecer, estabelecer elos e ampliar a proteção da designação CANASTRA, através do programa Parceiro Guardião. Os produtores de queijos e dos demais associados da APROCAN, desde que cumpram com o Regulamento da marca coletiva, poderão fazer uso da mesma.

A marca coletiva REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA tem por objetivo uma função de origem e uma função de produto ingrediente. Como exemplo, lojas especializadas em queijos ou bistrôs, que queiram usar a marca coletiva, para identificar o seu estabelecimento, desde que venda o queijo CANASTRA, promovendo e protegendo a origem CANASTRA, devem se associar a APROCAN. Outro exemplo são os produtos derivados, como o pão de queijo. A empresa que fabrica pão de queijo e deseja identificar o seu produto com a marca coletiva em conjunto com a marca própria da empresa, como se fosse uma marca ingrediente, deverá se associar e cumprir com o Regulamento e seus anexos. Assim, todo o produto que possuir a marca REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA tem a garantia que este produto realmente foi produzido com o queijo CANASTRA.  

O consumidor ao ver a marca coletiva REGIÃO DO QUEIJO DA CANASTRA terá a certeza que aquele estabelecimento ou aquele produto está vinculado, de uma forma ou de outra, a entidade que representa os produtores, no caso, a APROCAN.   

En reunião para evitar fraudes contra o queijo Canastra. Da esquerda para direita: Ricardo Boscaro (Sebrae), João Leite (Aprocan), Fabiana (Sebrae), Vinícius (Sebrae), Liliane (Aprocan), Valéria (Aprocan) e Fabrício Welge.

Laticínios instalados na Canastra têm direito de mencionar o nome “Canastra” em seus rótulos?

FW: O Regulamento da Lei n. 14.185/2002, do Estado de Minas Gerais, que dispõe sobre o processo de produção de queijo minas artesanal, aprovado pelo Decreto n. 42.645/2002, estabelece, no artigo 3, inciso I que o queijo Minas Artesanal é o queijo elaborado na propriedade de origem do leite, à partir do leite cru, hígido, integral e recém ordenhado, utilizando-se na sua coagulação coalho de origem animal, e no ato do prensagem somente o processo manual, e que o produto final apresente consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas, conforme a tradição histórica e cultural da região do Estado onde for produzido.

Com base na Lei, um laticínio, que compra leite de outras propriedades ou, ainda, que produz queijo de leite pasteurizado, mesmo que instalado na área delimitada da região do queijo da CANASTRA, não poderá usar no rótulo ou embalagem o apelo geográfico CANASTRA para identificar e vender seus queijos.

Famílias de produtores de queijo clandestino que historicamente fazem queijo canastra podem usar o nome Canastra ao vender seus produtos? Ou só produtores associados? 

O problema quanto as famílias de produtores de queijo clandestino, que historicamente fazem o queijo, é que, por força de lei, não poderiam colocar o seu produto no mercado. Não se trata de usar ou não a indicação geográfica CANASTRA, o problema é outro, a nossa legislação que cria imensas burocracias para o produtor de queijo artesanal.

A APROCAN possui um corpo técnico que auxilia os produtores de queijo no processo de formalidade. Nenhum produtor de queijo, associado ou não, que esteja na informalidade, a princípio, poderia vender queijo.

Como sabemos que não é esta a realidade, a APROCAN também vem lutando por uma legislação mais justa, visto o movimento do abaixo assinado Produtos agroartesanais sem fronteiras, que tem como finalidade colher assinaturas para pressionar o governo por um novo marco legislativo.

 

Quais são as punições legais para pessoas que usam o nome da Canastra em eventos e promoções sem comprovar que os produtos que está promovendo são originais? 

FW: Indicação geográfica é uma figura do Direito Industrial, estabelecida na Lei da Propriedade Industrial – LPI, n. 9279/96.

O crime contra a indicação geográfica está caracterizado no artigo 192 da LPI. A norma dita que é crime importar, vender, expor, oferecer a venda ou ter em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica; com pena de detenção de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. Falsa indicação geográfica é a indicação geográfica que não a verdadeira. Como exemplo; CANASTRA não é um tipo de queijo, mas sim um nome geográfico reconhecido, uma região. Usar o nome geográfico de forma que não a verdadeira é empregar o mesmo falsamente.

Atentamos que outros dispositivos da mesma lei também caracterizam o uso indevido da indicação geográfica CANASTRA. O artigo 195 da LPI dita que é crime empregar meio fraudulento para desviar em proveito próprio ou alheio cliente de outrem; com pena de detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. Queijo tipo Canastra é o uso abusivo e pode configurar crime de concorrência desleal.  

Quem faz uso indevido da indicação geográfica CANASTRA pode responder civil e penalmente. Logo, medidas judiciais poderão ser ajuizadas, como busca e apreensão, indenizatórias e penais, para responder e compensar o uso ilícito.  

 

E o mercado central de Belo Horizonte, seria melhor fazer uma campanha e seminários de conscientização com os lojistas ou o caminho seria judicial?

FW: O primeiro passo em relação ao Mercado Central, e outros mercados, é a conscientização dos lojistas e consumidores, através de campanhas e seminários.

Minas Gerais possui diversas regiões de queijos artesanais, como exemplo: Araxá, Salitre, Serro, Alagoa, Campo das Vertentes etc. O lojista do Mercado Central, ao identificar o queijo Canastra de Araxá, ou Araxá tipo Canastra, está confundindo o consumidor e desvalorizando ambas as regiões. Araxá, por exemplo, tem queijos de produtores maravilhosos, como exemplo o queijo Senzala da produtora Marly Leite, que ganhou medalha Super Ouro, no concurso mundial de queijos na França.

Foto do Instagram da Casa Mineira.

É importante uma campanha para a valorização de todas as regiões produtoras de queijos artesanais, para que o consumidor conheça cada região e as características de queijos vindos destas regiões.  Não existe uma região melhor do que a outra, cada região possui as suas características, que imprime no queijo a identidade da região.   

A APROCAN luta pela conscientização e conta com a cooperação dos lojistas e dos consumidores, e não em punição ou medidas judiciais.

 

Existem dados ou pesquisas de consumidor para saberem o que eles entendem de uma IG ou denominação de origem? 

FW: Não, trata-se de tema muito novo no Brasil. Atualmente contamos com 56 indicações geográficas nacionais reconhecidas, a Europa possui cerca de 5 mil. O Brasil possui imensas riquezas, regiões com produtos incríveis, diversos potenciais de indicações geográficas que devem ser explorados.  

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