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Festival Fermentar 2019

Destaque, Para Produtores, Queijo

29 de julho de 2019

Cursos de cura e fabricação, degustações e análise sensorial… 3 dias consagrados ao queijo artesanal em Goiânia para aprimorar a arte de fazer e comer queijo.

A nova edição do Festival Fermentar será em Goiânia, após o sucesso da edição anterior em Brasília em 2018. Serão dois cursos de cura de queijos (níveis 1 e 2), curso de fabricação, curso de gestão de lojas de queijo e uma noite de degustações sensoriais de queijos e bebidas. As formações serão dadas por um dos maiores e mais respeitados especialista em maturação de queijos da França, Hervé Mons, ao lado de Débora Pereira, diretora da SerTãoBras, mestra queijeira da Guilde Internationale des Fromagers (França) e autora do blog Só Queijo do jornal Estadão.

O Festival acontece nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2019. O evento é uma iniciativa da SerTãoBras com os parceiros Dom Rico Artesanal, do comerciante Ricardo Avelino, da Queijos Bem Dito, do produtor Fabiano Dias, e do Teta Cheese Bar, da comerciante Marina Cavecchia.

Seja qual for seu perfil, produtor, comerciante ou amante de um bom queijo de qualidade, você é bem vindo para celebrar conosco nesse evento que promete revelar novos sabores .

Agenda dos curso

Curso de Cura de Queijos 1 – 8 h – R$ 620
Data: 24 de agosto – sábado – de 8 às 16h
Local: Instituto SENAI de Tecnologia – IST – Rua Professor Lázaro Costa nº 348 Vila Nova Canãa
Insrições e programa aqui

Curso de Gestão de Lojas de Queijos – 4 h – R$ 390
Data: 24 de agosto – sábado – de 18 às 22h
Local: Dom Rico Artesanal – Rua 1.137 N 241 Setor Marista – Goiânia –
Fone: (62) 4101-7765 – (62) 98341-2022
Inscrições e programa aqui

Curso de Cura de Queijos 2 – 8 h – R$ 620
Data: 25 de agosto – domingo – de 8 às 16h
Local: Instituto SENAI de Tecnologia – IST – Rua Professor Lázaro Costa nº 348 Vila Nova Canaã
Inscrições e programa aqui

Degustação e análise sensorial de queijos e bebidas – 2 h – R$ 350
4 Queijos Europeus e 3 Brasileiros em harmonia
Data: 25 de agosto – domingo – de 20 às 22h
Local: Dom Rico Artesanal – Rua 1.137 N 241 Setor Marista – Goiânia
Fone: (62) 4101-7765 – (62) 98341-2022
Inscrições e programa aqui

Curso de Fabricação de queijos lácticos – 8 h – R$ 620
Data: 26 de agosto – segunda-feira – de 8 às 16h
Local: Dom Rico Artesanal – Rua 1.137 N 241 Setor Marista – Goiânia –
Fone: (62) 4101-7765 – (62) 98341-2022
Inscrições e programa aqui

Feirinha de Produtores
Oportunidade para os consumidores de Goiânia conhecerem os novos sabores do queijo artesanal brasileiro.
Produtores interessados em participar: contactar Élvio Rocha – Trem Bom de Minas – 11 98236-6573

Inscrições

Podem ser feitas na loja do site ou depositando diretamente na conta:
Associação SerTãoBras – CNPJ 102465840001/33
Caixa Federal
Agência 0146
Operação 003
Conta corrente 3365-0
Favor fazer depósito identificado com seu nome e enviar comprovante pra o email [email protected]

MOTIVAÇÃO

Queremos com esse Festival promover a qualificação técnica de produtores do Estado de Goiás e Distrito Federal. E também formar um público consumidor conhecedor das sutilezas em torno da degustação do queijo artesanal brasileiro, sabendo que ao consumir esse produto estarão também ajudando a fortalecer uma cadeia emergente de produtores nacionais.

A missão do Festival Fermentar terá sido cumprida se cada participante sair inspirado pelo desejo de melhorar ainda mais a qualidade dos queijos brasileiros. Desejamos que pequenos produtores comecem a enxergar novas formas de produção que não se limitem ao queijo fresco, meia cura ou muçarela. 

Festival fermentar - Brasilia

O Festival Fermentar é para…

  • Produtores, filhos e netos de produtores que desejam aumentar o valor do seu produto, ao mesmo tempo que preserva o conhecimento da família; 
  • Profissionais do comércio de laticínios que desejam ampliar sua gama de produtos mais valorizados;
  • Profissionais de prestação de serviços relacionados ao queijo artesanal;
  • Profissionais que desejam desenvolver um novo ramo de atendimento técnico para produtores artesanais;
  • Profissionais ligados à gastronomia e nutrição;
  • Profissionais ligados às áreas de inspeção e vigilância sanitária, agrônomos, zootecnistas e extensionistas rurais;
  • Professores que desejam se aprimorar nesta área;
  • Estudantes de pós-graduação que desejam pesquisar sobre os mercados de queijo e/ou processos de maturação, gastronomia.
  • Consumidores e amantes do queijo, que desejam adquirir mais conhecimento sobre as melhores formas de consumo dos produtos.

Esperamos, durante o final de semana do Festival Fermentar, transformar o Estado de Goiás no centro do universo queijeiro nacional, favorecendo trocas de conhecimento, com a missão de fortalecer a cultura queijeira de todo Brasil.

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Feliz aniversário, SerTãoBras

Destaque, França, Queijo

24 de junho de 2019

Por Débora Pereira

Hoje, 24 de junho, é aniversário de 12 anos da nossa associação que luta pela defesa dos queijos de leite cru e pela valorização da cultura queijeira brasileira no planeta e no universo.

Queremos dar os parabéns para todos que nos apoiam e apoiaram nesses 12 anos de luta. Em primeiro lugar, muitos agradecimentos para nosso patrono Gabriel Andrade e sua filha Li An que em 2007 tiveram a brilhante ideia de democratizar os queijos da Canastra para além das fronteiras de Minas Gerais. De lá pra cá, são tantos nomes de pessoas tão queridas que o universo coloca em nosso caminho para ajudar que esse artigo fica pequeno para citar todos e não queremos fazer injustiça.

Esperamos com todas as ações que fizemos nesses 12 anos inspirar os produtores e consumidores brasileiros a pensarem não só no queijo de leite cru como um produto. Ir além: pensar em produzir queijo com práticas agrícolas e pecuárias o mais possível em harmonia com a natureza e bem estar do planeta. Como uma forma justa de trabalho, de subsistência.

Nosso próximo desafio, para fortalecer a cultura queijeira brasileira, é o Mundial do Queijo do Brasil. Contamos com todos vocês nessa grande festa para celebrar o queijo brasileiro no cenário internacional!

Um exemplo inspirador

FOTO: Débora Pereira

Essa semana estou em viagem de reportagens na Normandia e Bretanha, região Noroeste da França. Primeiro estamos visitando queijarias que fazem o verdadeiro camembert de queijo de leite cru. São produtores que fazem a resistência e continuam fabricando do modo tradicional. A maioria já mudou seu rebanho para a raça Normande, uma raça que dá menos leite, mas é mais rústica e nativa da região. Elas ficam quase o ano todo nos pastos. Entram para dormir nos estábulos só nas noites mais frias do inverno.

E nessa viagem ganhei de presente de aniversário da SerTãoBras conhecer a fabricação de queijo de leite cru dos meus sonhos. Uma queijaria que vive a filosofia de vacas felizes e através da agricultura orgânica produzem um dos melhores camemberts que já provei . No queijo, sentimos a aliança do terroir, da raça Normande e do bem estar animal que inclui o homem.

A queijaria se chama “Naturellement Normande” (Naturalmente Normande). Familiar, de um jovem casal. Janine (inglesa) e Denis (francês). Ela cuida da fabricação. Ele da agricultura e rebanho. Herdaram a fazenda com as vacas dos pais dele e decidiram construir uma queijaria.

Janine e Melanie, sua ajudante. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Chegamos no final da fabricação. Ela coloca uma concha coalhada do camembert na forma. Delicadamente. Do leite que ficou fermentando desde o dia anterior conservado em temperatura nunca mais fria que 12ºC . Ela espera 40 minutos para que essa primeira concha dessore para colocar a segunda concha. E assim sucessivamente, na paciência, até completar cinco conchas. Cinco horas depois ela vira e salga.

Atrás da queijaria, uma granja enorme para secar o feno. Tudo têm cheiro de erva. O pasto verde é cortado e colocado para secar num tablado que ventila ar quente na variedade de capins, trevos e outros matos nativos cheios de proteína e gordura. Essa é a preparação da comida para o inverno. Desde 2014 as vacas não comem mais nenhum alimento fermentado. O cheiro super agradável é sentido sutilmente no gosto de cada produto da fazenda, no leite, no iogurte, nos queijos, no doce de leite…

Nos finais de semana o leite é enviado para ser transformado na indústria para que a família possa ter seus momentos de lazer. “Nosso interesse é viver bem” diz Janine.

Depois, falando com o casal sobre a necessidade de preservar o leite cru e os verdadeiros “queijos de terroir”, que expressam no sabor a natureza do local, fiquei realmente emocionada com a opinião da Janine. “A razão que me faz amar fabricar queijos de leite cru é descobrir na mudança da natureza a mudança do gosto do leite, fabricar de forma natural e simples, tocar a massa, provar, observar a evolução do queijo em cada um dos 21 dias que ele fica em nossa cave, isso é ser artesanal, bem diferente do industrial”.

Ela conta também dos altos e baixos para pagar todos os empréstimos feitos para concretizar o sonho de uma fazenda “natural”. A granja de secagem e o ateliê de fabricação com a boutique não custaram menos que um milhão de euros, 40% subvencionado pelo governo regional e a União Européia. “Quando eu começo a ficar triste Denis me coloca pra cima, e quando ele baqueia sou eu quem motivo todo mundo” diz a forte Janine.

Camemberts depois da última concha. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras.

O próximo passo do casal é parar de usar fermentos do comércio. Eles estão estudando as bactérias locais com a ajuda da Universidade de Caën para substituir as bactérias de acidificação do leite.

São pessoas como estas, encontros como estes, que me fazem ter mais esperança em um mundo onde o queijo natural tem seu lugar como produto de uma agricultura consciente. Brasileiro, francês, chinês, vamos pensar no queijo sem fronteiras.

Saudável não só para os consumidores, sim para todo planeta. Esses produtores são resistentes. Persistem no coração da região onde o camembert industrial fincou seu monopólio. Onde apenas uma usina chega a fabricar 700 mil queijos por hora e o índice de suicídio entre produtores de leite é um dos maiores da França.

Excelente história para o dia de nosso aniversário, que sirva de exemplo e inspiração!

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Queijos Bello

Destaque, Produtores-mapa, Queijo

24 de junho de 2019

“Minha historia queijeira começa no Instituto de Laticínios Cândido Tostes onde fiz o curso técnico de laticínios por 3 anos, em 1970. E ali experimentei o meu primeiro queijo de mofo azul, feito pelo dinamarquês Hans Norremose em Minduri ” conta João Bello.

João Bello e sua esposa Lísia. FOTO: ARQUIVO PESSOAL DE 2015

Após anos trabalhando em outra área, em 2013 João começou a fazer maturação experimental a partir dos queijos minas artesanal feitos com leite cru, utilizando temperatura e umidade controlada. Ele viajou para a França para um estágio em Arras, na queijaria La Finarde. “Jean-François Dubois, que me foi apresentado por Débora Pereira, esclareceu muitas dúvidas sobre minhas experiências de cura, isso me permitiu criar uma versão de casca lavada do queijo minas artesanal de leite cru produzido por Wellington Vieira, da Queijaria Cruzeiro” explicou João.

João intensificou os estudos em cursos e seminários: com Cleube Boari, José Manoel Martins, Délphine Gehant e Hervé Mons. E voltou ao Instituto de Laticínios Cândido Tostes para fazer um curso de queijos. Além disso João destaca a importância dos livros de Múcio Furtado e João Pedro Magalhães e o Guia de Cura de Queijos da SerTãoBras.

Atualmente João faz maturação de queijos de casca lavada e com carvão. “Muito importante para minha formação também foram as viagens de estudo a regiões produtoras do queijo minas artesanal de leite cru e dos queijos paulistas, bem como a alguns produtores de queijos de casca lavada franceses” conta ele.

Os queijos são produzidos com leite de um único rebanho de vacas holandesas da fazenda Queijaria Cruzeiro, do produtor Wellington Vieira, o Casquinha, no município de Cruzeiro da Fortaleza, distrito de Brejo Bonito. São transformados no próprio local, no cerrado de Minas Gerais, logo após a ordenha.

Recursos e ingredientes utilizados

  • queijo da queijaria Cruzeiro (Cadastro IMA/GIP 312070060271)
  • controle da temperatura e umidade, salmoura e o caldo do próprio queijo pra fazer os cascas lavadas Bello e Zenith
  • controle da temperatura e umidade e carvão para fazer o Manoel
  • diferentes bebidas para fazer as maturações experimentais.
  • Jabuticaba e bagaço de cevada.
  • todos os mofos são expontâneos
  • não são utilizadas culturas industriais de qualquer espécie.

Gama de queijos especiais

O Zenith é um queijo de casca lavada maturado em duas fases, onde variam a temperatura e a umidade. O resultado é uma casca de cor avermelhada, às vezes com fungos naturais, ligeiramente adocicado, com picância discreta e cremosidade que persiste na boca.

FOTO: João Bello

Queijo Bello inspirado nos queijos franceses de casca lavada, ele é maturado em baixa temperatura e alta umidade por 4 a 5 semanas. Nesse processo o queijo Bello adquire textura amanteigado e aspecto cremoso. Seu aroma intenso contrasta com o delicado sabor.

FOTO: João Bello

Manoel é um queijo com maturação de carvão, em ambiente de baixa temperatura e alta umidade. O resultado é um queijo de casca escura entremeada de mofos naturais que contrastam com a massa branca do seu interior. Apresenta cremosidade acentuada, sabor delicado e aroma suave.

FOTO: João Bello

As delícias de ser um curador de queijos

Eu adoro ver a expressão de surpresa provocada em muitos ao degustar o queijo Bello, em função do contraste entre sabor, cremosidade e o aroma intenso (para alguns fedido mesmo). Esta família de queijos de casca lavada, pouco conhecida no Brasil, é bem difundida na França. Provoca desde reações de satisfação como de repulsa, gerando situações engraçadas e gerando polêmicas, como da possibilidade de o queijo estar estragado, o que é falso!” diz João Bello.

Isto tudo contribui muito para a expansão do conhecimento e da vontade das pessoas se lançarem a experimentar novas formas de cura que têm sido lançadas no mercado do queijo artesanal nos últimos tempos.

Atualmente, os queijos Bello já fazem parte de cardápios em restaurantes, prateleiras de empórios. “O mais incrível é ver meu queijo rechear um bolinho de bacalhau famoso em Belo Horizonte, da Taberna Portuguesa” diz João..

“Periodicamente participo de degustações em lojas e feiras, onde é possível interagir com os consumidores conversando sobre os “segredos” da maturação de queijos. Os destaques vem daqueles que se surpreendem com o fato de um queijo de mesmo origem e forma DE FABRICAÇÃO, serem tão diferentes um do outro, como o Bello, Zenith e Manoel” diz João Bello.

Pontos de Venda

Belo Horizonte

  • Casa Bonomi – Rua Claudio Manoel, 460. (031) 3261-8334
  • De-Lá – Rua Santa Rita Durão, 919. (031) 3225-6347
  • Néctar do Cerrado – Mercado Distrital do Cruzeiro – R. Ouro Fino, 452 – Cruzeiro, Belo Horizonte – MG, 30310-110, Brasil
  • Roça Capital – Mercado Central (031) 3789-8669 e Avenida Bandeirantes 1725
  • Feira Fresca Villa 211, rua Estevão Pinto, 211. Todo terceiro sábado do mês.

Brasília

Varanda Pães Artesanais – (61)30332002
Teta Cheese Bar – CLS 103 Bloco B Loja 34
Tarsitano Sabor de Origem – (61) 99983-4660

Rio de Janeiro

Queijo com Prosa – (21) 99754-2407
Na Venda Leblon – Rua General Urquiza, 67 Loja C. Leblon.

Salvador

Cave Queijos – Rua das Dálias, 37- Loja1- Pituba Salvador, Bahia

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Trem Bom de Minas

Destaque, Produtores-mapa, Queijo

17 de junho de 2019

Esse oásis mineiro em São Paulo é comandado por Élvio Rocha e Priscila Torres. O casal vende uma grande diversidade de queijos artesanais mineiros, doces e outros quitutes. E agora eles começaram a se aventurar em buffets queijeiros para casamentos.

FOTO: Élvio Rocha

História

Mineiro morando em São Paulo, Elvio Rocha precisava de uma renda extra no final do mês. Ligou para sua mãe para ajudá-lo e foi então que ela resolveu enviar queijos.

A “mãe” no caso era sua avó biológica materna, criado sem pai, a avó sempre o ensinou o valor de trabalhar. “Ela enviou os queijos e eu saí batendo de porta em porta, o dinheiro começou a entrar… Em 2009 eu estava insatisfeito com o trabalho e pedi as contas, decidi dedicar só ao queijo!” diz Elvio.

Neste mesmo ano criou a empresa Trem Bom de Minas e começou a ir em repartição pública, bancos, hospital e empresas vender queijos.. “Eu me apaixonei, mineiro é apaixonado por queijo uai, comecei a estudar o assunto e fiz todos os cursos de fabricação do Instituto Cândido Tostes e os de cura da SerTãoBras.

Especialização em cura

“Em 2017, eu já tinha uma câmara fria e entendi que, para levar o queijo ao seu melhor sabor, eu devia controlar a umidade e a temperatura da sala de cura” disse ele.

Em maio de 2018, Elvio viajou para França, fez o curso intensivo de cura na escola Mons Formação para conhecer todos os segredos da arte de maturar os queijos de Minas para os clientes paulistas.

Élvio Rocha no túnel de Collonges, da Maison Mons.

A maior dificuldade para Elvio, antes do curso, era o controle dos resultados, o mofo aparecia, sumia, precisava controlar mais. A precisão na gestão dos ambientes foi conseguida com ajuda de um amigo engenheiro elétrico.

Em melhores condições de temperatura (em torno de 12ºC) e umidade relativa do ar (mínimo 90%) a cura dos queijos melhorou muito, alcançando sabores e odores para todos os gostos!

Criações inspiradas na França

O queijo “Benza” minas artesanal de leite cru curado com mucor na casca tem fila de espera. “Trouxe um queijo Saint-Nectaire da França e colocamos pedaços da sua casca para contaminar o queijo mineiro, devagarzinho deu certo”.

Vendendo o queijo curado mais caro, Elvio passou a remunerar melhor os produtores. Ele visita as fazendas para dar conselhos técnicos e saber quais são as boas práticas de fabricação dos queijos que compra. “Não saber como o queijo foi fabricado dificulta o processo de cura.

Como sugestão, Elvio diz para trocar de coalho para evitar sabor amargo, prensar mais ou menos, mudar a dose do fermento lácteo e a criação de novas receitas.

Em Aiuruoca criou um queijo de massa prensada cozida, estilo parmesão, com manjericão na massa, inspirado no pesto. A casca é tratada no azeite de oliva cultivadas no mesmo terroir da fazenda produtora Dona Lena.

Hoje ele vende três tipos de cura: casca lavada com fermento vermelho (Brevibacterium linens), casca de mucor e casca natural. Esse último ele simplesmente deixa as bactérias naturais dos queijos se instalarem, sem lavar.

A esposa do curador Priscila Torres administra o negócio e os 7 empregados dedicados à cura, gestão de estoque, comercialização, eventos e limpeza. Eles revendem uma tonelada de queijo por mês, 50% de artesanal de leite cru e 50% de produtos de laticínios. “Meu novo projeto é começar a curar e vender queijos de outras regiões do Brasil, pois o nível nacional está aumentando muito” disse Élvio.

Priscila e Élvio.

O Trem Bom de Minas está todos os sábados na feira Qualquer Coisa da praça Benedito Calixto, n 85, São Paulo.

Contato

Facebook Trem Bom de Minas

Instagram Trem Bom de Minas

Tel: 11 2495 1922

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50 tons de queijos brasileiros no Mundial do Queijo da França

Concurso, Consumo, Cultura, Destaque, Queijo

14 de junho de 2019

Queijo de casca mofada de todas as cores, queijos de cabra, queijo coalho do nordeste, queijos com recheios, passados no cacau, no óleo de pequi, recheado com nozes e damasco… “A cena do queijo brasileiro não é mais só o queijo Minas artesanal, vemos uma diversidade muito maior” observou a mestra queijeira Claudine Vigier Barthélemy, que vem ao Brasil em agosto em uma viagem da delegação da Guilde Internationale des Fromagers para conhecer de perto as nuances do nosso queijo.

Algumas mesas do concurso de queijos e produtos lácteos de Tours.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

Em 2017, só participaram do concurso produtores de Minas Gerais e a maioria dos queijos foi o minas artesanal. Esse ano, embora as duas campeões de volume de queijo apresentado no concurso tenham sido as associações da Canastra (Aprocan) e Serro (Apaqs), com 35 e 24 peças respectivamente, teve queijo coalho, queijo de cabra do Rancho das Vertentes (ganhou ouro), queijo de búfala da Ilha de Marajó (ganhou prata), os queijos paulistas de leite de vacas Gir e Jersey da Pardinho, como o Cuesta (que ganhou super ouro) e o queijo Sinueiro de kefir da Bela Fazenda (prata). Lista completa das medalhas de brasileiros (PDF).

Os brasileiros Marcus Pinheiro, da Ilha de Marajó (esquerda) e Vanessa Alcoléa da Pardinho foram jurados no concurso. FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“Quem é o representante comercial que exporta seus queijos?” Foi a pergunta mais ouvida pelos brasileiros, feita pelos donos de lojas de queijos e distribuidores que passaram para provar. Não temos legislação que valorize esses queijos e permita vender. “E como seus queijos entraram na França?” era naturalmente a questão seguinte. Isso ainda nos constrange, entraram nas malas, escondidos.

Os brasileiros Ligia Falcone e Edson Cardoso (à esquerda) também foram jurados.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

OURO BRANCO BRASILEIRO

“De tanto que essa legislação ainda atrapalha, ela acaba ajudando. Ela faz nascer na gente um sentimento de resistência, a coragem de atravessar fronteiras com nosso ouro branco” disse um produtor que não quis se identificar. Por outro lado, essa ação gera desconforto. Ninguém gosta de ser clandestino.

O russo brasileiro Mark Rozhanskiy observa um queijo em sua mesa.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

A alegria dos brasileiros, chorando em frente ao comissariado do concurso na hora da publicação dos resultados, foi contagiante. “Sentimos que colaboramos para o crescimento do queijo brasileiro e isso nos motiva, sabemos que muitos produtores enfrentam exigências sanitárias muito rígidas para terem sua certificação sanitária e que o reconhecimento internacional ajuda a validar a saúde desses queijos” disse Michel Lefevre, comissário do concurso.

A mineira Marly Leite, de Sacramento, foi jurada com dois colegas suíços.
FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“Que prazer ver que vocês estão melhorando muito em técnicas de cura” disse Fabienne Effertz, jurada belga que julgou o capim canastra, primeiro queijo brasileiro a ganhar medalha na França em 2015. “ É incrível ver que vocês conservam o gosto exótico e selvagem do terroir brasileiro, de vacas que dão um excelente leite, é muito perceptível o sabor diferenciado” disse ela.

Christelle Lorho, campeã do concurso de MOF em 2019, foi homenageada com uma cesta de queijos e produtos brasileiros quando passou no stand e provou cada um dos queijos. “Nunca recebi na minha vida tanto carinho de um grupo de produtores como vocês, estou muito motivada e chegar no Brasil em agosto” disse ela.

A diversidade de sabores fervilhou com as degustações propostas no stand para os visitantes, com alimentos bem brasileiros: cachaças, caju seco como ameixa com queijo coalho artesanal do Rio Grande do Norte, mel de jandaíra com o queijo paraibano Serro do Pico, pimenta biquinho com queijo Bem Dito de Goiás …

O queijo Bem Dito, do produtor Fabiano Dias de Goiás foi comparado a um queijo reblochon, pela sua cremosidade e cobertura branca. FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

“A sorte do nosso stand foi que ficamos em frente a um outro de geléias de frutas e doces artesanais em barras” disse Maricell Hussein, produtora de leite em Araxá. Ela já fez queijo há 20 anos, mas desistiu com as dificuldades da legislação. “Hoje vender nossa produção diária de 2 mil litros para a cooperativa dói no bolso, estamos mudando de ideia para começar a fabricar, fiquei muito curiosa para conhecer novos queijos em um grande salão e sair do minas tradicional, que já tem muita gente produzindo historicamente” disse ela. Depois do mundial, ela vai fazer um curso intensivo de cura “para poder escolher qual queijo quero fazer” disse Maricell.

Marcus Pinheiro (Ilha de Marajó), Rolando Barthélemy (Guilde des Fromagers), Cecília Pinheiro (Ilha de Marajó), Débora Pereira (SerTãoBras) e Michel Lefevre (comissário do concurso). FOTO: Arnaud Sperat Czar/SerTãoBras

Um dos queijos que causou mais admiração foi o da Ilha de Marajó, dos produtores Marcus e Cecília Pinheiro. “Essa tecnologia de fabricação não existe no Brasil, uma massa láctica desnatada que fermenta naturalmente por horas e em seguida é dessorada e esfarinhada como um queijo cheddar, para de novo ser enriquecida em creme e cozida, é incrível, não temos nada igual por aqui” disse Laurent Mons, diretor do centro de formação Mons para profissionais.

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Teta Cheese Bar

Destaque, Produtores-mapa, Queijo

27 de maio de 2019

Visitar o Teta é sempre uma supresa. O cardápio do bar gira de acordo com a disponibilidade dos queijos e muda toda semana. Para os mais gulosos, é possível levar pra casa uma peça ou um pedaço do seu queijo preferido. A dica é pedir os conselhos da “cheesemonger” Marina Cavechia para saber com quais alimentos ou bebidas combinar cada queijo!

A loja conta com sempre com 25 tipos de queijos, podendo chegar a 50 ou 60 dependendo da época do ano. Os queijos são principalmente de Minas Gerais, São Paulo, SC, Brasília, Goiás e Nordeste. Um queijo coalho de Aracaju é uma das peças raras.

Três ambientes

“O Teta não é grande, mas muito aconchegante. O maior desafio foi adaptar a venda de queijos às tecnologias resfriamento que têm hoje no Brasil. Ainda não avançamos muito nesse setor por aqui” disse Marina.

O espaço é dividido em três ambientes. Na frente, uma vitrine refrigerada com os queijos brasileiros. Vaca, cabra, ovelha, búfala, pasteurizado, cru, com mofo branco, com mofo azul, casca lavada, com cinza de carvão vegetal… ao lado dela uma estante expõe os queijos sem refrigeração, de massa dura, que tem grande rotatividade. Os queijos são vendidos a granel e em pedaços. Dando continuidade à loja, o balcão do bar vendide chops e cervejas artesanais. Atrás do balcão e na sobreloja mesinhas acolhem os clientes. No quintal, é possível comer queijo e tomar cerveja debaixo de uma linda mangueira.

História

O Teta Cheese Bar nasceu da ideia de três amigos. Marina Cavechia, mineira criada em BH, André Vasquez de Porto Alegre e Pablo Julio, de BH, planejaram o empreendimento por dois anos e inauguraram em 15 de Março de 2018.

Antes, Marina tinha uma sociedade com André. Eles montaram junto um clube de cervejas por assinatura, “ohmybeer”. Após três anos, Marina se apaixonou por queijos e começou a se especializar no assunto. Fez todos os cursos possíveis no Brasil: com Hervé Mons, David Asher, Delphine Geahnte, e o curso de imersão de cura no centro Mons de Formação na França.

A ideia inicial era abrir uma loja especializada, mas acabou evoluindo para o conceito de cheese-bar. Pablo Julio entrou para o trio para dar o toque gastronômico no bar. O chef de cozinha Gabriel Rogério também ajudou a construir o conceito do Teta.

FOTO: Rodrigo Ribeiro

Educação queijeira

O Teta é parceiro da SerTãoBras no Festival Fermentar, que teve sua primeira edição em agosto de 2018.

Festival fermentar - Brasilia

Facebook – Teta Cheese Bar

Instagram – Teta Cheese Bar

Tel: 61 99223 8429

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