Pingo do Mula

A fabricação do queijo canastra na Fazenda São Tiago Batatas começou por Antônio de Melo Almeida (Mula Véia) no final da década de 90 em São Roque de Minas, Serra da Canastra-MG. Em 2015, seu filho Paulo Henrique de Matos Almeida (Mula Nova) juntou se ao pai para desenvolver e aprimorar a produção. Hoje o queijo Pingo do Mula tem SISBI e Selo Arte.

O apelido que herdei do meu pai é porque ele sempre foi bem sistemático, quando ele pega uma coisa pra fazer ele faz da melhor forma possível! Ele sempre fez um queijo diferenciado, caprichado, mesmo antes de estarmos certificados” conta Paulo.

Trajetória

Paulo Henrique nasceu em Belo Horizonte, após os pais se radicarem para a capital mineira em 1966. Apesar de construírem a vida em BH, visitavam os familiares na Serra da Canastra pelo menos 6 vezes por ano, especialmente os irmãos/tios que trabalhavam em fazendas de queijo. Essas visitas os auxiliaram a despertar o vínculo de carinho e amor pela tradição do queijo da Canastra. “Ao longo dos meus estudos sempre orientei a graduação para voltar para São Roque de Minas, percebendo a riqueza cultural da região e do queijo“.

Ele se mudou para a Canastra em 2006, aos 27 anos, onde trabalhou na agência de desenvolvimento do município, em atividades turísticas rurais.

Em 2009 Paulo começou a trabalhar em uma cooperativa de crédito local e desenvolveu projetos de Agricultura Familiar, “em parceria com a SerTãoBras e fui conhecendo outras realidades, dos produtores de milho, de doce, todos da agricultura familiar. Em paralelo, trabalhei para a cooperativa e associação local para valorizar a cadeia produtiva do queijo, ao lado de Johne Castro, também produtor da SerTãoBras“.

Chegando o momento da aposentadoria do pai, Paulo se desligou das funções “Eu disse para o Mula Véia que, se ele queria pendurar a chuteira, era meu momento de calçar e jogar em campo,, não podia deixar a produção artesanal da nossa fazenda parar. Nosso queijo mantém as tradições originais e obedece os critérios atuais da normas exigidas pelo governo“. Um equilíbrio que necessita de esforço e coragem.

Turismo local

Na lida diária, o casal motivar a cultura queijeira local, buscando recriar experiências turísticas, vivenciadas ao longo da sua vida e do contato com apreciadores de queijo, chefs de cozinha e visitando outras fazendas produtoras de alimentos agroartesanais.

Paulo, a esposa e dois funcionários adaptaram a estrutura física da fazenda inspirados nas fazendas de Paulo e a família adaptaram a estrutura física da fazenda inspirados nas fazendas de seus antepassados e de produtores tradicionais com foco em proporcionar a transmissão de parte dessa história para visitantes e pessoas interessadas em conhecer um pouco do universo do queijo artesanal.

Além da produção de queijo, a fazenda recebe turistas e amantes do queijo para viver experiências únicas de imersão na atividade queijeira. Três opções de atividades são disponibilizadas:

  • Visita guiada com degustação: por serem pequenos agricultores familiares, a atividade mostra os trabalhos da fazenda. São apresentadas desde a estrutura física até a evolução histórica, passando pela história do queijo, da Canastra, entre outras, e finalizada com café passado na hora e degustação de 3 maturações do queijo além do doce feito de leite produzido na fazenda.
  • Harmonização de queijos com cervejas artesanais: assim como na visita guiada, é feita uma breve apresentação da rotina da propriedade, além das instalações, seguida de um papo sobre a história e evolução do queijo artesanal da Canastra no contexto brasileiro e mineiro. Ao final, os visitantes são recepcionados na cozinha caipira especialmente planejada para estas atividades onde degustarão 4 maturações diferentes do queijo produzido na fazenda combinados de forma selecionada com 4 cervejas artesanais e quatro complementos sazonais: charcutaria, frutas do cerrado, doces feitos na propriedade, etc.
  • Vivência gastronômica: é a atividade carro chefe da fazenda. A mais completa por assim dizer. Como nas demais, os participantes são recepcionados com um tour pelas instalações enquanto ouvem um pouco sobre a história da fazenda, do queijo, da Canastra e das experiências vivenciadas pelo produtor nesse meio. Na sequência, após uma palestra da história do queijo, vem a tão aguardada oficina de fabricação, onde o turista leva o queijo fabricado por ele. Enquanto o almoço contendo entrada, prato principal e sobremesa vai sendo finalizado pela Paula com os produtos da fazenda, o Paulo vai conduzindo uma harmonização de queijos e cervejas artesanais com um visual bucólico e bastante agradável. “Isso tudo para enfatizar a importância que os produtos agroartesanais sazonais têm no nosso dia a dia” conta Paulo.
  • *TODAS AS ATIVIDADES PRECISAM SER AGENDADAS PREVIAMENTE

Controle de qualidade

O ouro branco que vai ser transformado em queijo é produzido por um rebanho das raças Jersey, Jersolando e Girolando. Na gestão da fazenda, a veterinária e zootecnista Paula, esposa de Paulo Henrique, se esmera para que a produção de leite seja com capricho e controle de qualidade.

A tipicidade e rusticidade do nosso leite, mais gordo, vem do rebanho predominantemente Jersey e Jersolando, o que dá características sensoriais particulares. Da fazenda de 39,5 hectares, 28 são reservados para alimentação do gado. Atualmente o manejo é de pastagem extensiva, onde contamos com áreas de Brachiaria e Mombaça. Nossas matrizes são alimentadas com ração nas duas ordenhas e recebem silagem de milho (plantado na fazenda) o ano todo. Somos adeptos ao uso de homeopatia desde o início da produção conta Paula.

Gama de queijos

MEIA CURA. O queijo começa a assumir sua maioridade. Apresenta uma casca com cerca de 3 mm de espessura, com uma tonalidade amarelo ouro. Sensorialmente começa a apresentar um aroma suave mas que apresenta já características mais complexas. A massa mantém-se macia, com equilíbrio entre o sal e o sabor do queijo. Possui de 6 a 21 dias de vida.

EXTRA MATURADO. O queijo assume sua plenitude. Aroma e sabor se tornam mais complexos. Até 30 dias de vida ainda mantém-se relativamente macio, com retrogosto levemente acastanhado. Além dessa idade começa a marmorizar internamente, com a formação de cristais, o que garante uma retrotextura arenosa. A partir dos 90 dias assume um retrogosto agridoce e picante.

Com o apoio da SertãoBras, em breve novos queijos serão lançados pela Família Pingo do Mula.

Visite

  • PRODUTORES: Antônio de Melo Almeida (Mula Véia) e Paulo Henrique de Matos Almeida (Mula Nova)
  • ENDEREÇO: Estrada São Roque de Minas | Piumhi – Km 2 Esq. Sílo da Cooperativa Km 4
  • TELEFONE: +55 (37) 98831.1308
  • E-MAIL: contato@pingodomula.com.br
  • Atendimento: Segunda – Sábado 07h às 19h –  sob agendamento
  • Instagram: @pingodomula
  • Site: pingodomula.com.br