Capril e queijaria Quinta do Cerrado – Canastra

Meus pais nasceram em São José do Barreiro, distrito de São Roque de Minas, mas foram ganhar a vida em Ribeirão Preto, São Paulo. Quando eu tinha 4 anos eles decidiram comprar uma fazenda na Canastra, uma forma de retorno às origens” conta Elis Serra, que hoje está à frente da Quinta do Cerrado com sua irmã Sandra Pereira e uma grande mudança: a substituição das vacas por cabras em um ambiente dedicado ao agro-turismo.

As irmãs têm memórias inesquecíveis de todos os finais de semana e férias passados na Canastra. Os pais Neide e Wagner Souza só conseguiram voltar para a roça depois de aposentados. As duas filhas e seus maridos Rogério e José Ricardo, que ainda moram em Ribeirão Preto, se revezam dando apoio a mãe que mora na fazenda. Seu Wagner faleceu em 2015.

Meu pai sempre teve vaquinha, fazia queijo canastra, mas era muito difícil, um produto clandestino que não era valorizado. Eu e meu marido Rogério somos muito curiosos, adoramos provar queijos novos e decidimos criar cabras, é algo diferente, podemos valorizar mais o leite e o trabalho artesanal

Elis Serra

Elis é dentista e continua exercendo sua profissão em Ribeirão Preto. Mas o sonho da Canastra persiste. “Eu sou café com leite, metade mineira, metade paulista, quero ir parando aos poucos o trabalho no consultório para ficar só com os queijos e a pousada rural. Todos mês eu passo cerca de 10 dias na fazenda. Nos revezamos para receber os hóspedes nos feriados e para lidar com tudo da roça. Por mais empolgados que somos não é fácil administrar à distância os funcionários em plena pandemia” disse ela.

Elis Serra.

Sandra é professora de natação em Ribeirão Preto e como a irmã também tem planos de aposentar e se dedicar só na fazenda.

Tomamos as decisões do Capril e da fazenda sempre em conjunto“.

Elis Serra

A fazenda tem 58 hectares. “Nosso plantel está na fazenda desde agosto de 2020. São 10 cabras Saanen e um bode. Começamos com um sistema confinado, era opção na época, mas agora plantamos capim e feijão gandú, fizemos piquetes para que elas possam sair na natureza, a alimentação é de feno e complementamos com silagem de milho feito em casa no cocho nos períodos mais secos” detalha a produtora.

O pasto nativo do cerrado é a alegria das cabras. “Pretendemos ser o mais natural possível. Trocamos a maior parte da medicação alopática por homeopatia, queremos um leite livre de remédios, porque entendemos que para ter um queijo de qualidade, que é nosso principal objetivo, a caprocultura deve anda de mãos dadas com o bem estar animal, tudo isso influencia no resultado final” disseram as duas.

Gama de queijos

Por enquanto, a gama de queijos produzida é o boursin, de fermentação láctea, vendido em forma de bolinhas no azeite temperado (140g de queijo drenado); em seguida um queijo de massa prensada crua feito com a mesma receita do canastra, mas menor (peças de 250 gr ); e doce de leite de cabra, que os turistas comem de joelhos.

E está em fase de teste uma receita de queijo curado com fungo branco e usando kefir como fermento. Elis fez alguns cursos de fabricação para entender melhor e poder passar os ensinamentos para os funcionários.

As vendas por enquanto são no próprio local.

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Fotos: Elis Serra/Acervo Pessoal