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Crianças são educadas no queijo na Serra da Canastra

Por Débora Pereira, 23 de outubro de 2016

Lanah Aparecida Silva, 6 anos, Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos, Antonella Samira Silva , 6 anos e Clara Zorzi Tizianel, 5 anos.

Lanah Aparecida Silva, 6 anos, Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos, Antonella Samira Silva , 6 anos e Clara Zorzi Tizianel, 5 anos.

Oficinas de queijo bem divertidas estão animando as crianças da Serra da Canastra. Começou em São Roque de Minas, depois será levado para Medeiros e Vargem Bonita. A idéia é educar os pimpolhos para os significados dessa importante atividade comercial e cultural do seu território, o queijo. E literalmente colocando a mão na massa.

A educação empreendedora é projetar para atingir metas

Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos - Ana Clara Pereira da Costa, 5 anos - Ronilda Aparecida da Silva Faria (trabalha na produção de queijo na Roça da Cidade).

Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos – Ana Clara Pereira da Costa, 5 anos – Ronilda Aparecida da Silva Faria (trabalha na produção de queijo na Roça da Cidade).

As oficinas de queijo fazem parte de um projeto mais amplo iniciado pela Cooperativa Educacional da cidade de São Roque de Minas, onde estudam 10% dos alunos do município. “Nossa cooperativa visa melhorar a qualidade de vida para nossa região. Nossa proposta é formar lideranças éticas e solidárias, que se preocupam com a comunidade onde atuam. Queremos motivar nossos jovens a terem mais iniciativa, sabendo que, com um bom planejamento, todos os sonhos podem se realizar” explica Maria José de Faria Leite, a presidenta.

Ela e seus colaboradores perceberam que beneficiando dez por cento somente dos alunos da região não poderiam mudar a sociedade. Por isso, propuseram a expansão do projeto à Aprocan e Sicoob-Saromcredi e ambos decidiram ampliar para todas as quatro escolas públicas de São Roque de Minas e outras de Medeiros e Vargem Bonita.

Ana Clara Pereira da Costa, 5 anos - Rodrigo Ferreira Oliveira, 4 anos - José Pedro Faria Costa, 5 anos - Fernando Faria de Oliveira, 5 anos - Viviana Márcia da Silva Filho (educadora 2º Período da Educação Infantil).

Ana Clara Pereira da Costa, 5 anos – Rodrigo Ferreira Oliveira, 4 anos – José Pedro Faria Costa, 5 anos – Fernando Faria de Oliveira, 5 anos – Viviana Márcia da Silva Filho (educadora 2º Período da Educação Infantil).

«A questão da educação é muito mais complexa que simplesmente apresentar o queijo» explica Paulo Henrique,assessor de planejamento da Associação dos Produtores de Queijo da Canastra – Aprocan .

“Realizamos paralelamente outras ações que promovem a educação financeira e empreendedora da sociedade, ensinando às crianças a administrarem seu dinheiro e ao mesmo tempo à identificarem oportunidades, sabendo explora-las de forma efetiva » acrescenta ele. E quando o assunto é queijo, os técnicos da Aprocan se revezam nas apresentações para as crianças.

Tirar leite, transformar a massa, curar o queijo e enfim comer: a criança aprende todo processo

Maria José e seu esposo João Carlos Leite, presidente da Aprocan, disponibilizam a queijaria da sua fazenda, que é praticamente dentro da cidade, para a visita dos alunos. “O João anda o mundo inteiro falando desse queijo e percebemos que a comunidade tem pouca oportunidade de participar. Foi preciso criar uma forma de envolver os pais e os alunos na valorização do conhecimento em torno do queijo” explica ela.

mariajosefarialeite

Maria José, presidenta da cooperativa.

 

À partir de 3 anos as crianças da Educação Infantil já são iniciadas nas oficinas de fabricação de queijo do projeto “Fazendo Arte na Cozinha – Mini Chef”. Antes de aprender a fabricar, eles acompanham a ordenha das vacas no curral.

Lanah Aparecida Silva, 6 anos, Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos, Antonella Samira Silva , 6 anos e Clara Zorzi Tizianel, 5 anos.

Lanah Aparecida Silva, 6 anos, Vitória Aparecida Rodrigues, 5 anos, Antonella Samira Silva , 6 anos e Clara Zorzi Tizianel, 5 anos.

Depois, eles aprendem sobre maturação e também sobre a culinária local, uma vez que o queijo artesanal é o principal ingrediente dos pratos típicos. Dando sequência aos trabalhos, depois de maturado, o queijo é levado para casa e cada aluno faz uma receita na qual o queijo era o ingrediente principal.

A mãe de uma delas, do primeiro período, perguntou à filha quando veio busca-la: “- cadê seu queijo?” A filha: “- mãe, o queijo tem o tempo dele, não fica pronto na hora não.” 

Os queijos maturados ficam na escola, para que as crianças possam continuar a cuidar.

Palestra do presidente para alunos já “maturados”

Para os alunos mais velhos, João Leite apresenta uma palestra sobre a história do queijo e sua comercialização, especialmente contando a história do trabalho desenvolvido pela cooperativa.

Cooperativa Educacional de São Roque de Minas

João Leite mostra para as crianças o equipamento de ordenha mecânica.

“O resgate da história da produção do queijo artesanal está contribuindo para a elevação da autoestima das pessoas que hoje percebem uma grande oportunidade de geração de renda e melhoria da qualidade de vida de nosso povo”  Maria José de Faria Leite.

 Ana Carolina Lima Ramos, 10 anos - Eduarda Lima Oliveira, 11 anos - Gabriel Ferreira Melo, 11 anos - Marcela Silva Barcelos, 11 anos - Renata Silva Faria, 11 anos - Rodrigo José Modesto Júnior, 10 anos - Vinícius Ferreira Monzo, 11 anos - Taynáh Santos Custódio, 10 anos - Maria Luíza Cruvinel Faria, 11 anos.

Ana Carolina Lima Ramos, 10 anos – Eduarda Lima Oliveira, 11 anos – Gabriel Ferreira Melo, 11 anos – Marcela Silva Barcelos, 11 anos – Renata Silva Faria, 11 anos – Rodrigo José Modesto Júnior, 10 anos – Vinícius Ferreira Monzo, 11 anos – Taynáh Santos Custódio, 10 anos – Maria Luíza Cruvinel Faria, 11 anos.

 A última palestra foi para os alunos do 5º Ano do Ensino Fundamental (foto acima), associados da Coomunicação – Cooperativa de Comunicação e Cultura de São Roque de Minas Ltda. Eles criaram essa cooperativa para divulgar os eventos promovidos pela escola e agora vão começar a divulgar também sobre a luta dos produtores pela legalização da produção artesanal do queijo.

Os resultados

O trabalho do ano inteiro culmina na Feira dos Jovens Empreendedores, realizada pelos alunos que se dividem em cooperativas experimentais. É lá que os produtos são vendidos. “Esse ano eles venderam muito mais queijo, pois sabiam o que estavam vendendo” conta Maria José, sorridente.

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