Queijo: questão do desaparecimento da produção artesanal

Por Mariana Moraes, no SRZD 16/9/2013

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Foto: Divulgação

Quem mexeu no nosso queijo? A frase não faz alusão ao livro famoso de autoajuda, mas atenta para a séria questão sobre o desaparecimento da produção artesanal de queijos no mundo. Entre as causas estão o abandono dos pastos de montanha, normas de controle excessivamente rígidas, tempos de processamento muito demorados e um mercado em crise. Contra a extinção da arte queijeira e em favor de sua valorização, o  Slow Food promove o encontro mundial Cheese, de 20 a 23 de setembro, em Bra (Piemonte, Itália).

O tema da nona edição é a Arca do Gosto, projeto da Fundação Slow Food para a Biodiversidade, que visa catalogar os produtos tradicionais em risco de extinção. “Salva un formaggio!” (Salve um queijo!) é o mote do evento que solicita a todos levarem para Bra um produto genuíno para embarcar na Arca. Para o Slow, preservar um queijo significa salvar raças, pastos, paisagens e saberes das pequenas comunidades, muitas vezes transmitidos de geração para geração. Outros temas em destaque serão o leite cru e os fermentos e os pastos.

A cada dois anos, o encontro reúne produtores e artesãos de vários países para debater, trocar experiências e falar dos desafios do métier, ligado às formas do leite. Aberto à comunidade em geral, há atividades voltadas para a família, escolas, mercados, e a programação dos Laboratórios do Gosto (diversidade de queijos guiado por experts), Master os Foods (viagem sensorial e cultural pelo mundo do queijo) e os Encontros à Mesa, palestras e jantares especiais.

E do outro lado do oceano, em Aracaju (SE), um projeto de pesquisa, financiado pela CNPq e UFS e produzido pela Sônia de Souza Mendonça Menezes, lança o filme “Guardiãs do Queijo Coalho no Sertão”. O vídeo exibe o modo de vida das mulheres sertanejas e a relevância da produção do queijo coalho para a comunidade e economia local. A tradição e a sustentabilidade na artesania do coalho são condições essenciais do trabalho diário no interior do Sergipe. Viva a arte da queijaria e o registro que valorizam a diversidade dessas culturas que dizem muito de um povo e uma região.

 

Editado 11/10/13–Erramos na produção da curta-metragem “Guardiãs do Queijo Coalho no Sertão”. É um projeto feito por um grupo de pesquisadores, e não o Slow Food Brasil.

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