Festival de Tiradentes atrai 37 mil turistas e abre oportunidades para pequenos produtores

Meta é ampliar espaço de restaurantes locais

por Márcia Maria Cruz, em EM

A delicadeza dos sabores criados pelos chefs contrastou com a grandiosidade dos números do 16º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes que terminou ontem. Nos dois fins de semana, foram servidos 6,4 mil pratos nos festins. Nas tendas montadas nos largos Das Forras e do Chef, foram degustadas 12 mil porções, criadas especialmente para o festival e vendidas a preços populares. “Um dos nossos objetivos é ampliar o festival, cada vez mais, para os restaurantes e praças da cidade e demonstrar que o evento não são apenas os jantares”, disse o diretor- executivo, Rodrigo Ferraz.
Ao longo dos 10 dias de evento, cerca de 37 mil turistas estiveram na cidade histórica com o objetivo de apreciar o melhor da gastronomia mineira e internacional. Em um levantamento dos organizadores, foram identificados turistas de Palmas, Curitiba, Florianópolis, Natal, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e interior de Minas. Para as próximas edições, Rodrigo anunciou que deverá aumentar o número de festins, bem como ampliar o espaço para os restaurantes nas praças. Nos próximos três anos, a expedição, que faz um inventário da cadeia produtiva das regiões brasileiras, deverá percorrer outros 15 estados. O resultado da pesquisa será apresentado no festival tanto nos festins, como nos cursos e palestras.

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Lúcia Resende comemorou venda de 60 queijos no fim de semana: “Nossa produção é artesanal” Fonte: EM

Para quem esteve na cidade, o que não faltou foi disposição para experimentar. Umbigo de banana com arroz vermelho e geleia de pimenta, preparado pela chef Tânea Romão, foi uma das combinações que surpreenderam os paladares. Não faltaram pratos típicos da culinária mineira, como a linguiça com jiló, mas sabores mundialmente conhecidos não ficaram de fora, como a paella – tradicional prato espanhol.

No último dia de evento, muita gente aproveitou para levar um pouco de Minas para continuar a saborear em suas cidades. “Os produtos estão saindo bastante, porque a pessoas aproveitam para levar quando vão embora”, afirmou a quitandeira Trindade Vital de Paiva, de 53 anos. Ela levou para vender ovos caipiras, rosquinha de nata, doces de laranja-da-terra, limão rosa e mamão verde. Toda a produção orgânica vem do sítio que fica em Caixa d’água, distrito de Tiradentes.

Negócios
A proprietária da Queijaria da Conquista Lúcia Maria Resende comemorou os negócios. Durante um fim de semana, vendeu 60 queijos, número representativo para quem tem uma produção diária de 10 queijos. “Nossa produção é pequena, artesanal. Temos seis vacas, que produzem 80 litros de leite por dia”, conta. A exemplo da produção de Lúcia, o festival dá visibilidade para outros pequenos produtores da Associação Regional de Produtos Associados do Campo das Vertentes (Arpa) que expõem seus produtos durante o festival no estande Origem de Minas.

Os turistas aproveitaram até o último momento as atrações artísticas e gastronômicas. É o caso do médico Leonardo Badovani Trivelato, de 36 anos, e a namorada, a jornalista Marcela Moura Carvalho, de 29. “É a segunda vez que venho a Tiradentes e a primeira que participo do festival. Tudo está muito bem organizado e democrático com atrações para todos os perfis de renda e gostos”, avaliou Leonardo. O casal participou da inauguração de espaço gourmet de uma pousada que ofereceu menu degustação de ostras do litoral Sul de São Paulo. No sábado à noite, o festim mais procurado foi o Sabores do México, com os chefs Bruno Oteiza e Gerard Bellver. O governador Antônio Augusto Anastasia foi um dos que foram conferir os temperos e sabores da culinária mexicana.

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