Não existe queijo Minas feito na Alemanha; nem mesmo em Minas sem leite cru

por Carlos Alberto Dória, do blog e-Boca Livre (11/4/2013)

Paladar de hoje traz matéria de capa sobre a afinação de queijos. Pretende mostrar “detalhes importantes do processo de evolução”.

O conceito de maturação utilizado é, contundo, muito limitado: “maturar ou afinar um queijo é basicamente esperar que ele perca umidade”. Seria melhor dizer: permitir que os fungos e bactérias do leite se desenvolvam em condições controladas (de luz, temperatura e umidade) enquanto o queijo vai se trasformando e perdendo água.

Em segundo lugar, a matéria toma um casciotta – queijo fabricado na Alemanha, da marca Bergader, à venda no mercado – como se fosse um “minas meia cura” que, maturado, “lembrou um bom canastra”. Ok, é um bom queijo industrial, mas não um canastra. Sequer é um verdadeiro casciotta.

Aliás, o maior problema da matéria é a sua seleção de “canastras”: da marca Brinco de Ouro, da marca Tirolez (minas padrão) e um “minas de Araxá”, que diz ser artesanal. Mas todos sabemos que os queijos “de marca”, comercializados com o SIF, como o Brinco de Ouro e o Tirolez, o são por serem de leite pasteurizado. E, uma vez por todas, é preciso ter presente que não existe queijo mineiro de qualidade que não seja de leite cru! O tal “minas de Araxá”, o único artesanal da prova, “era o unico de sabor mais intenso na categoria. Amarelado, tem textura com mais liga e boa acidez”. Mesmo assim, um Araxá não é um Canastra.

Não é uma boa matéria aquela que põe em teste o que não é um “queijo minas” artesanal, de leite cru, mas os seus simulacros feito de leite pasteurizado. Assim como não é boa matéria aquela que alinha um casciotta na categoria “minas meia cura” que “lembra um bom canastra”. O Casciotta d’Urbino  é um queijo de denominação de origem controlada, elaborado com um mistura de leite de ovelha e de vaca. O “canastra”, que não esteve representado na prova, elaborado só de leite de vaca, também tem origem clara, e é controlado pelas autoridades sanitárias sob o pior pretexto: impedir que ele circule nacionalmente por ser de leite cru.

Veja a matéria original

  1. Caro Fabrício,

    Em BH você encontrará nosso queijo em dois lugares:
    De-Lá. Avenida do Contorno, 6000, loja 208, Savassi.
    9h/19h (sáb. 9h/13h; fecha dom e fer.)
    ☎ 3225-6347
    SITE: http://www.produtosdela.com.br.

    NÉCTAR DO CERRADO – Rua Ouro Fino, 452 Cruzeiro
    MERCADO DO CRUZEIRO – Loja 2B
    Terça à Sábado: 08 as 19h
    Domingo e Feriados: 08 as 13h
    ☎ 8706-5074

    Att.
    Osvaldo Filho

  2. Já me falaram deste queijo d’Alagoa e da confusão que existe entre ele e o parmesão. Gostaria de provar. Onde posso encontrar em BH?

    Quanto ao artigo do Dória, é uma confusão do peru este negócio de queijo canastra e queijo que não é canastra e vem escrito canastra. Já ví um rótulo escrito QUEIJO MINAS CANASTRA DO SERRO, o verdadeiro samba do crioulo doido, esta foi das mais incríveis que já vizualizei. Tem de tudo, tudo, nunca duvide da criatividade dos fabricantes de rótulos, vc pode se surpreender.

    Tá cheio no mercado de BH de queijo chamado canastra e que é cozido, tem vários.

    Este do Tirolez está escrito que é canastra? Eu, heim.

  3. Aqui em Alagoa (Sul de Minas) é elaborado um delicioso QUEIJO ARTESANAL DE LEITE CRU!
    Como foi um italiano que começou a fazer o queijo aqui em Alagoa (há mais de 100 anos) batizou de “Parmesão”, mas estamos na luta para certificarmos a denominação de origem: Queijo Alagoa, pois só aqui pode ser produzido este tipo de queijo (terroir).
    Quebrando as regas, assim como o MestreQueijeiro.com.br, também vendo pela internet no sítio: http://www.queijodalagoa.com.br
    Abs.
    Osvaldo Filho

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