Os 15 minutos de glória de Anastasia

Por Carlos Dória, blog E-bocalivre

Além da “confusão entre o que é Minas e o que é Brasil”,  que o Madrid Fusión proporcionou, conforme  o repórter José Orestein, o Governador Anastasia, de Minas, subiu ao palco com os seus 15 cozinheiros e Alex Atala. Ouviu agradecimentos pelo empenho do Governo do Estado (R$ 2 milhões). Foram 80 pessoas levadas a Madrid.

Anastasia falou das parcerias com o comércio, a indústria e a pecuária mineiras para viabilizar o negócio. Do bolso do contribuinte só saíram R$ 350 mil, entre o que colocou o governo mineiro e a Embratur.

Não é muita grana, é? Bem, além disso sabemos que a gastronomia só prospera à sombra do poder. O que seria de Carème sem os palácios da era napoleônica? O que seria de Escoffier sem os banqueiros?

Só fiquei chateado com a atitude bifronte do Governador. Gosta dos louros do palco madrilenho, mas não está nem ai com os agricultores familiares do seu Estado.

São 30 mil propriedades de produtores artesanais mineiros de queijo de leite cru,  da qual vivem cerca de 100 mil pessoas – com uma renda familiar média, derivada da atividade, que atinge R$ 17 mil por ano.

No entanto, essa gente é humilhada e ofendida pela polícia, pelos fiscais da Anvisa e uma enorme plêiade de burocratas que persegue o queijo de leite cru.

O queijo, que é inequivocamente mineiro, nem conseguiu chegar ao palco do Madrid Fusión. Talvez por isso a confusão entre o que é Minas e o que é Brasil…

Se o governador pegasse um avião para Brasilia, batesse na porta de Dilma para dizer que essa situação é insustentável, que está matando o artesanato alimentar que é a identidade de Minas, estou certo de que muito mais gente do que cabe no auditório do Madrid Fusión estaria disposta a aplaudir. Quem sabe, fazer uma estátua para ele. Com certeza, inscrever seu nome nos anais da gastronomia mineira.

Para isso, é preciso resistir ao aplauso fácil (R$ 2 milhões), ao brilho fugaz, metendo-se como peixe fora d´água num palco que não é o seu.

Governador Anastasia, zele pela culinária do seu Estado, em favor da gastronomia brasileira. Não custa tanto. E, afinal – eu não estava lá mas soube que o senhor disse –  “em Minas gastronomia é uma questão de política pública”…

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