Estudante brasileira aprende a fabricar queijos na Holanda

por Débora Pereira

Brasileira aprende a fazer queijo na Holanda em programa de intercâmbio from SerTãoBras on Vimeo.

 

Priscila Coutinho é estudante de engenharia de alimentos na Unicamp. Atualmente participa de um intercâmbio agrícola na Holanda. A possibilidade de trabalhar com queijos e outros produtos lácteos em um país com grande tradição na área a fizeram optar pelo pela fazenda Koopman, próxima a cidade De Weere (cerca de 50 km ao norte de Amsterdã), onde vive hoje.

O queijo que ela ajuda a produzir chama-se belegen, um tipo de gouda, fabricado com leite de vaca, que ganhou o prêmio World Cheese Awards em 2008. Um queijo de massa firme e prensada, textura lisa, com pequenas olhaduras regulares e, quando maturado, sabor tendendo ao avelã.  Embora ele seja cozido por meia hora, é considerado um queijo de leite cru porque a temperatura alcança o máximo 34 graus (não chega aos 65 graus do processo pasteurização) .

“Funciona assim, quando o queijo tem pouco tempo de maturação ele se chama jong (jovem). Após dois meses ele é chamado de jong belegen (maturação jovem). Este queijo que eu apresentei tem quase três meses, então ele é chamado de belegen (maturado). Além disso também temos o extra belegen (com seis meses) e queijo oud (velho) que tem nove meses de maturação”, relata.

Porém, ela afirma que  esta regra só vale para as peças de 12kg, uma vez que aquelas de 500g e 1kg ficam no máximo três semanas aguardando para serem vendidas. Sobre produzir os queijos no Brasil, ela afirma que pretende continuar pesquisando e desenvolvendo produtos lácteos. “É uma área que me atrai muito”, afirma,

O período do intercâmbio é de seis meses. Coutinho recebeu essa proposta através do Programa Internacional de Intercâmbio, que oferece vários tipos de estágios agrícolas. É exigido que o candidato tenha experiência na área de trabalho escolhida e uma boa noção de inglês. O salário não é alto (95 euros por 40 horas semanais), mas o intercambista recebe também moradia, alimentação e seguro saúde.

 

Confira abaixo uma breve entrevista com Priscila Coutinho, que recebeu a equipe da SerTãoBras numa manhã de neve e muito trabalho.

 

SerTãoBras: Por que você escolheu a Holanda?

Coutinho: Porque é um lugar que tem tradição em laticínios e porque é o programa que oferece a possibilidade de trabalhar com queijo e produtos lácteos. O programa oferece outras oportunidades agrícolas em vários países, mas poucos trabalham com laticínios. Nos Estados Unidos eu cheguei a me candidatar e a responsável me avisou que o serviço era apenas para limpar o local. Lá o salário é maior e as taxas são menores, mas a vaga não se encaixava no meu perfil.

 

SerTãoBras: Quais são as taxas que você pagou para realizar esse intercâmbio?

Coutinho: A passagem, o visto para residência e visto de trabalho,  as taxas de  intercâmbio e a tradução da minha certidão de nascimento.

 

SerTãoBras: Qual a maior vantagem para você nesse intercâmbio?

Coutinho: É trabalhar na minha área em outro país. Muitas pessoas fazem intercâmbio para trabalhar  no Mc Donalds ou mesmo na Disney, mas acredito que um estágio na minha área de trabalho me agrega mais conhecimento.

 

SerTãoBras: Quais são seus planos depois que voltar ao Brasil?

Coutinho: É uma pena que não posso fazer esse queijo no Brasil, porque ele é de leite cru e a maturação é muito curta, a nossa lei não permite. Mas pretendo continuar na área de pesquisa e desenvolvimento de produtos lácteos. É uma área que me atrai muito.

 

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