Serro tem indicação geográfica aprovada e Salitre busca recursos

Figura ilustrativa do selo de indicação geográfica (IG) do queijo do Serro (Foto L.C.Dupin/INPI)

Por Sertãobras

Figura ilustrativa do selo de indicação geográfica (IG) do queijo do Serro (Foto L.C.Dupin/INPI)

A Associação dos Produtores Artesanais do Queijo Serro (Apaqs), situada em Minas Gerais,  foi atendida em sua solicitação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para que o produto tenha indicação geográfica (IG).  A delimitação que foi aprovada abrange dez municípios : Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Materlândia,  Paulistas, Rio Vermelho, Sabinópolis, Santo Antônio de Itambé, Serra Azul de Minas e Serro. De acordo com o INPI, este é o 14º produto nacional a receber esse reconhecimento e o primeiro dentre os queijos artesanais.

A publicação do deferimento aconteceu  em 27 de setembro  e a associação terá prazo de 60 dias para efetuar o pagamento da taxa prevista para a expedição do registro. “Já estamos mobilizando os produtores para isso”, afirma Jorge Brandão Simões, presidente da Apaqs. Sua expectativa é de que a quitação ocorra nas primeiras semanas de outubro.

Após a cura, o queijo do Serro possui sabor brando ligeiramente ácido, apresentando sólidos totais de 46% a 52% e teor mínimo de gordura de 50% (Foto L.C.Dupin/INPI)

Simões conta que o produto do Serro tem enfrentado pirataria e que agora terão um instrumento para combatê-la. O consumidor que procura esse queijo, em especial aquele de maior renda, como avalia, terá condições de identificá-lo pelo selo que passará a conter e que também garantirá que foi manufaturado dentro das normas regionais estabelecidas.

Para o produtor utilizar a identificação, Simões diz que seu trabalho será avaliado de tempos em tempos para averiguar se está seguindo os padrões e o queijo será analisado do ponto de vista sanitário. O artesão precisará ser membro da Apaqs, que hoje conta com 80 associados.

Salitre se prepara

Em 15 de setembro foi realizado encontro em Catulés, distrito mineiro da Serra do Salitre, com a presença de produtores e representantes da Câmara Municipal,  da Emater-MG,  do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Secretaria  da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da ONG Sertãobras, entre outros.

João José de Melo, presidente da Cooalpa, diz que é preciso complementar os estudos sobre o queijo e a região da Serra do Salitre (Foto Sertãobras)

João José de Melo, presidente da Cooperativa Agropecuária dos Produtores de Derivados de Leite do Alto Paranaíba  (Cooalpa), explica que o objetivo da reunião foi o de mostrar a organização dos produtores, os estudos e trabalhos pioneiros existentes na região para a obtenção de recursos do MDA para o andamento do projeto de obtenção da IG.

Melo informa que a marca de queijo Serra do Salitre já foi registrada e que já possuem vários dos requisitos necessários,  mas que falta dinheiro para dar prosseguimento ao custoso trabalho. Ele cita, por exemplo, levantamentos topográficos , delimitação de área,  estudos das características microbiológicas e físicas dos queijos e outros, complemento as pesquisas já existentes.

O presidente da Cooalpa espera que até meados de outubro já tenha entregue a solicitação oficial ao MDA pedindo a liberação de recursos. Segundo informa, há relatório favorável deste ministério.

Vale lembrar que a Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), também de Minas Gerais, já deu entrada no INPI ao seu pedido de IG em 2010.

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