Semiárido: um meio do caminho

por Robin Geld

Chegávamos a uma casa simpática rodeada de árvores e vegetação nativa “exótica”; a gigantesca, espinhuda embaré, toda em flor rosa, por muitos chamada barriguda, mas como explicou Santiago, gerente da Colonial: a legitima barriguda é uma paineira e não esta. O embaré é talvez a árvore mais característica da mata seca caducifólia do norte de Minas. A presença do embaré é também o sinal mais contundente da fertilidade dos solos nas áreas onde se encontra. E a bougainvellia que se vê espalhada pelos campos, Vera contou ser nativa, nascida aqui mesmo e daqui levada para as Índias!

Cansados, quentes e sedentos, entramos na casa construída há 40 anos, de enormes janelas deixando passar a brisa, numa estrutura de madeira da qual participa a forte aroeira, rústica e atraente, hoje sob “proteção” ambiental.

Marlene, cozinheira das várias refeições que viríamos partilhar, apareceu com aquele jeito simpático e firme de muitos da região, oferecendo água de coco- em abundância, e das mais doces!

“Aqui”, disse Vera, “a laranja, a banana, a manga, as frutas são mais doces”.

No pomar perto da sede achamos uma única laranjeira com frutos, e pistas de que era cobiçada de outro- cascas ao redor. Casca dura, mas que doce laranja! Colhemos algumas, muito apreciadas nas andanças do dia seguinte.

No café e almoço, histórias e informações trocadas entre Santiago, gerente, Zé Americo, encarregado,  Otávio, encarregado, Flávio, filho de Gabriel, em sua visita administrativa mensal da fazenda, Paulinha sua mulher, Lucas, neto de Gabriel, Lian, Presidente da SerTãoBrás, Robin escritora colaboradora, e claro, quem construiu, viveu e acompanhou a Colonial ao longo de quarenta anos, Gabriel e Vera. No início quando chegaram, ficavam numa das únicas, singelas casas que Vera mostrou, perto da sede, via-se o carinho que ainda sentia por ela, e este mesmo carinho pelo novo e o nativo ia se revelando ao percorrer ainda de manhã da fazenda de leguminosas e caatingões.

Além das secas, a falta de escolaridade, recursos, acesso ao mundo dificultavam a agricultura familiar. E havia ainda o receio de fazendeiros locais  em experimentar o plantio de sementes e mudas de leguminosas e variedades de capins desconhecidas que a Colonial distribuía no intuito de melhoras.

Contou Flavio de um fazendeiro tradicional da região que de quando em quando passava, observava Flavio em seu escritório com computadores e modos de administração avançados com registros e previsões de vários aspectos essenciais de manejo. “Pois é”, disse pausadamente, “ tô vendo que a fazenda aqui é de grande produção. Produz muito, nunca vi tanta papelada!”.

Foi Flávio também quem ofereceu a explicação simples e fundamental sobre a região, que já ia se mostranndo “outros sertões”.

Aqui é o semiárido, a Mata Seca. Não é o Sertão. Temos o caatingão, não a caatinga. É uma área de transição, entre a Mata Atlântica e a Caatinga.

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