Do minério e das ferrovias

Gabriel AndradePor Gabriel Donato Andrade

28 de outubro de 2009

Em relação à discussão midiática sobre como o Brasil deve exportar seu minério de ferro, concordo com a cobrança do presidente Lula para haver mais valor agregado em torno da matéria prima vendida por mineradoras a países estrangeiros.

A realidade é que, até hoje, o Brasil faz um papel de bobo. As jazidas foram vendidas abaixo do valor real a quem explora. Ou seja, as mineradoras esburacam nossas montanhas, levam o minério e dão um retorno mínimo ao desenvolvimento do Brasil.

Outro fator que justifica uma intervenção dos governos nessa prática é que, embora as ferrovias tenham sido ‘dadas’ para o transporte do minério, grande parte do trajeto é feito por caminhões, com óleo diesel subsidiado. Nossas estradas não foram feitas para isso, esse transporte deveria ser feito exclusivamente por ferrovias. É realmente revoltante: nós pagamos impostos para subvencionar os asiáticos, que estocam minério no fundo do mar para venderem às nossas futuras gerações. E ainda temos que reformar as estradas, estragadas pelo trânsito excessivo de cargas pesadas.

Na Europa, em países mais desenvolvidos, a maioria do transporte de cargas é feita por ferrovias. Inclusive os passageiros transitam com muita segurança por trens, prática que daria muito certo no Brasil. Só o fim do subsídio ao diesel pode estimular as mineradoras a aderirem totalmente às ferrovias.

Mineradores alegam que a siderurgia não é sua especialidade e muitos afirmam que o estado não pode intervir em uma empresa privada. Mas, com essa iniciativa do Lula, vejo agora uma perspectiva de mudança. Se as pessoas se conscientizam, podem influir nas decisões do congresso e no próprio executivo para reverter essa anomalia.

Ver reportagens sobre isso: JBonline e FolhaOnline.

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