Uma viagem noturna por Iquitos com os motokars
A SerTãoBras apresenta Luciérnagas, o nono filme da série Viaje por un SoL, de Eryk Rocha.
O clip é uma viagem noturna com os motokars pela cidade de Iquitos. A palavra Luciérnagas quer dizer vaga-lume. No vídeo, estão as luzes dos faróis, que balançam pela tela, os sons de triciclos, a voz de uma mulher (da guarda municipal) e batidas de percussão, que acompanham o ritmo dos veículos.

O Motokar tem charme, o encanto do movimento, das cores, das texturas e cada um tem um estilo muito próprio
Em um dos clips mais sensoriais da série, se destaca o jogo de texturas e sons. Segundo o diretor Eryk Rocha, o filme segue um movimento lúdico. “É uma brincadeira com luzes que se assemelham a vaga-lumes”, afirma ele. O cineasta destaca o trabalho de montagem, assinado por Renato Vallone, que cadencia o ritmo da micronarrativa.
Sobre a linha experimental utilizada, Eryk Rocha afirma: “o Motokar tem charme, o encanto do movimento, das cores, das texturas e cada um tem um estilo muito próprio, que remete ao dono do veículo. E, ainda, tem o aspecto sensorial do movimento. É cinema de pele, cinema de imagem e som. Por isso, seguimos uma linha experimental, tentando conduzir os espectadores a uma viagem de motokar” (veja a entrevista completa).

Em Iquitos circulam mais de 20 mil motokars
Em Iquitos circulam mais de 20 mil motokars. O município, de cerca de 500 mil habitantes, está situado numa ilha (é a maior cidade do mundo sem ligação rodoviária com o exterior). A maioria das peças para montagem do veículo é importada da China e chegam de navio em Lima. Em seguida, são transportadas de caminhão por quase 2 mil km até o rio Ucaiali (formador sul do Amazonas), em Pucallpa. E, por fim, são levadas de barco até Iquitos. Os veículos são montados ali mesmo, com 30% de descontos nos impostos de importação. Dessa forma, são predominantes, quase únicos na cidade.
Viaje por un SoL
O crescimento do número de motokars no Peru e a mobilidade que este veículo de três rodas trouxe para as populações locais menos favorecidas são os temas de fundo da série Viaje por un SoL, que apresenta aqui todas as sextas-feiras um novo filme. Serão 12 micronarrativas lançadas semanalmente como resultado da parceria entre o cineasta Eryk Rocha e a SerTãoBras (veja os outros vídeos) .
São mais de 400 mil motokars no Peru, em uma frota total de apenas 1,4 milhão de veículos (o Brasil possui 49 milhões de veículos!). O motokar – equivalente peruano do tuk-tuk ou autoriquixá – está disseminado por todo o país, exceto nas zonas centrais das grandes cidades. O título da série, Viaje por un SoL, alude ao preço módico de uma corrida média – 1 sol (moeda peruana) – que equivale a apenas R$ 0,57.
Na visão da SerTãoBras as imagens animam o debate sobre as alternativas de transporte popular no Brasil. É importante mostrar – em movimento – este veículo de três rodas, no momento em que no Brasil o de duas rodas (moto) está no centro da polêmica sobre segurança e democracia no trânsito.
Rota da equipe de filmagem

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Ficha Técnica do filme
Direção, Fotografia e Câmera: Eryk Rocha
Montagem e Desenho de Som: Renato Vallone
Produção e Realização: SerTãoBras
Pesquisa: Li An e Débora Pereira
Som Direto: Vitor Moreira
Edição de som e mixagem: Edson Secco
Assistente de Direção: Gustavo Neves
Produção no Peru: Cecilia Fox e Eduardo Ramos
Eryk Rocha – o diretor
Eryk nasceu em Brasília, em 1978, e viveu em vários países da América Latina. Estudou cinema na Escola San Antonio de Los Baños, em Cuba, onde realizou “Rocha que voa” (2002), seu primeiro longa metragem. O filme foi selecionado para os festivais internacionais de Veneza, Locarno, Montreal, Rotterdam e Havana, entre outros. Foi premiado como melhor filme no Festival Internacional É Tudo Verdade, no Festival CineSul em 2002, com o Coral Saul Yelín no Festival do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana (2002) e o Prêmio de Melhor Ópera Prima no Festival de Rosário, na Argentina (2003).
Em 2004, realizou o curta-metragem “Quimera”, filme que integrou a competição oficial dos festivais de Cannes (2004) e Sundance (2006) e participou em vários festivais no Brasil e no exterior, como Montreal, Nova York, Bilbao, Coréia do Sul e Havana e recebeu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Internacional de Montevideo (2005) e no Festival de Belém (2004).
Em 2006, seu segundo longa metragem “Intervalo Clandestino” é selecionado, entre outros festivais, para Montreal, Montevidéu, Guadalajara, Popolli, recebendo o prêmio Menção Honrosa especial no Festival de Guadalajara. Em 2010, lançou o filme ¨Pachamama¨ que ganhou o prêmio de melhor longa metragem documental no Cineport 2009.
Atualmente, exibe nos festivais o filme “Transeunte”, seu primeiro longa-metragem de ficção. O filme ganhou o prêmio da crítica no festival de Brasília 2010, além do prêmio de melhor ator e melhor desenho sonoro. “Transeunte” estreia em junho de 2011.
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