‘Ensamblaje’: a linha de montagem do motokar
A SerTãoBras apresenta Ensamblaje, a quinta micronarrativa da série Viaje por un SoL.
Ensamblaje retrata o modelo de manufatura dos motokars no Peru. A palavra, que no português seria “montagem”, se refere às linhas de produção do veículo em indústrias peruanas. O país passa por um acelerado crescimento econômico e, provavelmente, as montadoras dos triciclos (ensambladoras) estão entre as principais empresas em expansão no país.
“Esta micronarrativa é uma radiografia do impacto econômico e social do motokar na vida dos peruanos. Possui um viés informativo, mas segue um ritmo intenso, como o da própria ensamblaje”, explica Eryk Rocha. Segundo ele, o vídeo se inspira nos grafismos dos filmes políticos cubanos, com intervenções de dados estatísticos sobre o motokar no Peru.
Embora grande parte da população peruana (em especial a mídia e classes altas) ainda não reconheça a importância deste veículo, montadoras por todo o país comemoram o crescimento das vendas. Como mostra o clip, o Peru importa 120 mil unidades de motos e motokars ao ano. A importação dos demais veículos se encontra na faixa de 100 mil.
Segundo o engenheiro Octavio Mavila, responsável pela introdução do triciclo no país, em dois anos o motokar será o veículo mais numeroso no Peru, superando os automóveis. Mavila explica que existem acordos comerciais com a China e Índia, para que essas forneçam as peças para a montagem no Peru com descontos (leia a entrevista completa).
O artigo de Humberto Saccomandi, O Desafio Social do Modelo Asiático do Peru , publicado no jornal Valor Econômico, ilustra as razões do crescimento de 9% da economia peruana no último ano, mesmo com tantas importações: uma política agressiva de abertura da economia relacionada a um câmbio competitivo. O caso do motokar não é citado por ele (que fala apenas de ônibus e carros), mas é emblemático. Os acordos comerciais com a China, que compra minério e revende as peças do veículos a baixo preço, aparecem como uma interessante alternativa para a economia peruana.
Sobre essa relação, Víctor Castillo Canani, diretor da montadora Mavila, fala: “A China é nossa aliada. Há uma fábrica chinesa que produz autopeças de acordo com nossas especificações. Eles nos mandam uns pacotes que são partes e peças completamente desmontadas. Em nossa fábrica montamos e produzimos as motocicletas. Produzimos os mototáxis a partir de uma moto, que adaptamos, modificamos e fabricamos todas as partes do chassi. Tudo de acordo com padrões de qualidade impostos pelo governo, necessários para um veículo poder circular” (leia a entrevista completa).
Viaje por un SoL
O crescimento do número de motokars no Peru e a mobilidade que este veículo de três rodas trouxe para as populações locais menos favorecidas são os temas de fundo da série Viaje por un SoL, que apresenta aqui todas as sextas-feiras um novo filme. Serão 12 micronarrativas lançadas semanalmente como resultado da parceria entre o cineasta Eryk Rocha e a SerTãoBras (veja os quatro primeiros vídeos) .
São mais de 400 mil motokars no Peru, em uma frota total de apenas 1,4 milhão de veículos (o Brasil possui 49 milhões de veículos!). O motokar – equivalente peruano do tuk-tuk ou autoriquixá – está disseminado por todo o país, exceto nas zonas centrais das grandes cidades. O título da série, Viaje por un SoL, alude ao preço módico de uma corrida média – 1 sol (moeda peruana) – que equivale a apenas R$ 0,57.
Na visão da SerTãoBras as imagens animam o debate sobre as alternativas de transporte popular no Brasil. É importante mostrar – em movimento – este veículo de três rodas, no momento em que no Brasil o de duas rodas (moto) está no centro da polêmica sobre segurança e democracia no trânsito.
Rota da equipe de filmagem
Ficha Técnica do filme
Direção e Fotografia: Eryk Rocha
Montagem e Desenho de Som: Renato Vallone
Produção e Realização: SerTãoBras
Pesquisa: Li An e Débora Pereira
Som Direto: Vítor Moreira
Edição de som: Edson Secco
Assistente de Direção: Gustavo Neves
Produção no Peru: Cecilia Fox e Eduardo Ramos
Eryk Rocha – o diretor
Eryk nasceu em Brasília, em 1978, e viveu em vários países da América Latina. Estudou cinema na Escola San Antonio de Los Baños, em Cuba, onde realizou “Rocha que voa” (2002), seu primeiro longa metragem. O filme foi selecionado para os festivais internacionais de Veneza, Locarno, Montreal, Rotterdam e Havana, entre outros. Foi premiado como melhor filme no Festival Internacional É Tudo Verdade, no Festival CineSul em 2002, com o Coral Saul Yelín no Festival do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana (2002) e o Prêmio de Melhor Ópera Prima no Festival de Rosário, na Argentina (2003).
Em 2004, realizou o curta-metragem “Quimera”, filme que integrou a competição oficial dos festivais de Cannes (2004) e Sundance (2006) e participou em vários festivais no Brasil e no exterior, como Montreal, Nova York, Bilbao, Coréia do Sul e Havana e recebeu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Internacional de Montevideo (2005) e no Festival de Belém (2004).
Em 2006, seu segundo longa metragem “Intervalo Clandestino” é selecionado, entre outros festivais, para Montreal, Montevidéu, Guadalajara, Popolli, recebendo o prêmio Menção Honrosa especial no Festival de Guadalajara. Em 2010, lançou o filme ¨Pachamama¨ que ganhou o prêmio de melhor longa metragem documental no Cineport 2009.
Atualmente, exibe nos festivais o filme “Transeunte”, seu primeiro longa-metragem de ficção. O filme ganhou o prêmio da crítica no festival de Brasília 2010, além do prêmio de melhor ator e melhor desenho sonoro. “Transeunte” estreia em junho de 2011.
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