MENU

Destaque
Categoria

Mofos e queijos de menos de 22 dias precisam ser legalizados na IG da Canastra

Destaque, Queijo

1 de dezembro de 2017

 “- O consumidor brasileiro ainda não sabe o que é IG- Indicação geográfica, que é, de forma resumida a proteção legal de um produto relacionado à sua origem” explicou, Ricardo Boscaro do SEBRAE no seminário técnico promovido junto a APROCAN para discutir os desafios enfrentados pela Indicação Geográfica do queijo Canastra. O evento aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro de 2017 em São Roque de Minas.

De fato, seria querer demais de um carioca ou de um nordestino dominar a diferença dessas sutilezas. A maioria dos queijos de Minas seguem a mesma receita e são da mesma família “massa prensada crua” além de terem praticamente o mesmo formato. É preciso educar os consumidores.

Sabemos que os desafios das IGs, no Brasil como um todo, giram em torno da necessidade de maior organização dos produtores e de educar o mercado consumidor. É preciso efetivar o uso do selo para rastreabilidade e incorporar as inovações pedidas pelos clientes, como os queijos mofados. Ainda não sabemos como essas técnicas de cura seriam enquadrados na IG, se  com outro nome ou com sobrenome” resumiu Ricardo.

Produtores Zé Mário, Guilherme, Sérgio e Ivair em manifestação pela liberação dos mofos no seminário. FOTO: Valéria Rodrigues /APROCAN

Durante a mesa redonda “Os desafios da Indicação Geográfica: Canastra, tradição x Inovação” debateu-se o problema que o queijo canastra, enquanto definido na IG, não pode ser vendido nem fresco nem mofado.

O principal problema dos produtores na Canastra nem é o mofo. É não ter uma legislação adequada para vender seus produtos para turistas, por exemplo, que querem comprar queijo fresco ou com menos de 22 dias, como exigido na legislação.

Zé Mário também quer …. FOTO: Valéria Rodrigues /APROCAN

Para identificar as diferenças sensoriais entre os queijos mineiros das regiões reconhecidas, Diogo Carvalho do MAPA manifestou o interesse do ministério em apoiar a criação de um curso com módulos de 6 meses para produtores e técnicos reconhecerem a identidade de cada queijo. O advogado Fabrício Welge explicou as diferenças de indicação geográfica e denominação de origem e Patrícia do INPI falou a marca coletiva da Aprocan (região do queijo canastra), associada à IG.

Fabrício Welge (consultor), Hulda Giesbrecht (Sebrae), Patrícia Barbosa (INPI), Priscilla Lins (Sebrae), Elmer Almeida (consultor), Diogo Carvalho (MAPA) e Bruno Cabral (associação Comer Queijo, de comerciantes). FOTO: Valéria Rodrigues/APROCAN

 

Outros temas tratados no seminário

No primeiro dia, a discussão mais quente foi em torno da alimentação animal. O professor de zootecnia Mauricio Scoton Igarasi da Uniube (Uberaba) comparou os métodos de silagem e feno como alternativas para alimentação no inverno. O silo é muito mais em conta que o feno, mas os produtores de queijo explicaram ao professor as desvantagens do uso da silagem, que representa não só maior risco microbiológico como também afeta as características sensoriais do queijo.. “– Ele entendeu, disse que estava aprendendo com a gente“, disse João Leite, produtor do Roça da Cidade. “– Maurício se prontificou a fazer pesquisas para verificar a questão sensorial e prometeu nos apresentar novas tecnologias para alimentar o gado no inverno, foi a palestra que mais houve debate, foi excepcional” resumiu João.

O técnico do IMA Maurício Teixeira apresentou o novo programa de certificação do leite. “- O programa é bom, mas as exigências representam mais custos com instalações, higiene, cuidados com os animais, cuidados sócio-ambientais… isso tudo vai ser pago pelo produtor que provavelmente não será ressarcido no preço final do leite” avaliou João Leite. “Então a nossa dúvida é, como o produtor pode agregar valor a um leite vendido para a indústria? E nós, produtores que transformamos o leite teremos ainda mais regras para obedecer?” questionou ele. A certificação será um dos pontos exigidos para que o produtor de queijo obtenha o registro para comercialização dos seus produtos.

Foram realizadas visitas técnicas nas queijarias da Roça da Cidade e do sítio Nossa Senhora Aparecida. FOTO: Valéria Rodrigues/APROCAN.

Dando seguimento…

Temos mais dúvidas do que respostas” confessou Ricardo Boscaro. “Mas a discussão não se encerrou aqui, vamos continuar a ver problemas internos da Canastra e realizar o mesmo seminário no Serro em breve” prometeu ele. Outras questões a serem abordadas são a possível adoção de um selo único para todas as IGs, como acontece na União Européia e o papel dos comerciantes e chefs que fazem a conexão com o consumidor final. “- Eu acho que o processo é lento, mas já avançamos” completou.

 

Ler artigo

293

Curso na França é oportunidade para brasileiros

Cursos, Destaque, Queijo

1 de dezembro de 2017

Mons FormaçõesSerTãoBras oferecem dois cursos na França:

  • de 23 a 26 de abril, curso de gestão de Vendas de Queijos

  • de 14 a 17 de maio, curso de Cura de Queijos

A escola da Maison Mons tem um longo percurso em formações para estrangeiros que querem beber na fonte da sabedoria dos queijos franceses. Até o momento, os cursos eram principalmente para o público norte americano e asiático. A novidade para 2018 é incluir o público brasileiro, que apresenta uma forte demanda, o que nos fez pensar nessa parceria para cursos com tradução em português.

Ambos os cursos serão teóricos e práticos, com atividades previstas nas caves da Maison Mons em Saint Haon le Chatel, no túnel de cura de queijos de Collonges, nas boutiques Mons em Lyon e em Roanne, além da visita de uma fazenda de fabricação do queijo Saint Nectaire.

Os horários indicados nas apresentações abaixo são flexíveis, podem ser reajustados em função do ritmo do grupo. Os grupos serão pequenos (mínimo de 3 pessoas e máximo de 6) para permitir um excelente aproveitamento para cada participante.

Investimento: 2 300 euros (a ser pago diretamente para a Maison Mons). Esse valor inclui alimentação e hospedagem, o aluno só precisa se preocupar em chegar em Roanne (a SerTãoBras vai ajudar a organizar a logística da viagem desde o Brasil).

Para se inscrever, envie para sertaobras@gmail.com uma carta de intenções contando um pouco da sua experiência profissional com queijos artesanais. Se não tem experiência, isso não é um problema. Conte das suas aspirações futuras e dos motivos que te fazem desejar participar do curso. Seja ousado!

PROGRAMAS

CURSO DE VENDA DE QUEIJOS:

CURSO DE CURA DE QUEIJOS:

 

Ler artigo

Debate, cursos e feira de artesanais celebram o queijo em São Paulo

Consumo, Cultura, Destaque, Política, Queijo

1 de dezembro de 2017

Nos dias 10, 11 e 12 de novembro a casa Tinetitá, na Vila Madalena em São Paulo acolheu o Festival do Queijo Artesanal. Primeiro evento da SerTãoBras destinado a venda de queijos para o grande público, o festival foi palco de discussões ricas entre atores do queijo artesanal brasileiro durante os cursos de formação.

Participaram da feirinha Fuja do Padrão os produtores do Caminho do Queijo Artesanal Paulista, da Associação Paulista do Queijo Artesanal, de associações de Araxá, da Canastra, do Serro, de Alagoa, do nordeste e do sul do Brasil.

O curso de cura foi um dos espaços mais ricos de discussão. O queijeiro da França Hervé Mons e Débora Pereira, doutora em Ciência da Informação (UFMG/Sciences Po Paris) passaram para 35 produtores e três fiscais agropecuários do SISP de São Paulo as principais  técnicas e ambientes necessários para a cura. A maioria das práticas ainda não têm regulamentação determinada no Brasil. “- Dá pra fazer, nós estamos abertos a receber pesquisas científicas que comprovem que práticas como o uso de madeira e do leite cru possam ser seguras para a alimentação“, se mostrou otimista João Gustavo Loureiro, médico veterinário do SISP.

Hervé Mons relatou da sua experiência enquanto curador que coleta queijos de 130 produtores na Franças, sendo que 70% de leite cru, e exporta para 43 países. “Quando eu vejo o trabalho da Maison Mons, o meu consolo é que eles nunca teriam um SIF no Brasil com as leis que temos que conviver aqui” brincou Heloisa Collins, produtora do Capril do Bosque. Os queijos dos alunos foram degustados e avaliados pelos professores e colegas. Um dos pontos que Hervé Mons mais insistiu foi para os produtores prestarem atenção à qualidade do leite para fazer queijos:

Uma vaca que só come silagem, que é erva fermentada, é como um ser humano que só come chucrute, o leite não terá um bom odor, além disso, as vacas precisam ter uma vida feliz, com direito a pasto, contato com suas crias…” destacou Hervé.

A oficina de produtos frescos realizou uma fabricação láctica de queijo de  leite cru de Gir da Estância Silvania, onde vivem exatamente essas tais “vaca felizes” (sim, é possível!!) em manejo de pastos e sem silagem. O leite coagulou e fermentou por 16 horas a 21ºC, com fermentos e pingo natural trazidos da França. Depois a coalhada foi delicadamente batida com creme de leite para fabricação do queijo ultrafresco tipo Fontainebleue e sobremesas lácteas.

“Foram 3 dias fantásticos nessa imersão queijeira, pelas quais só tenho a agradecer e que fazem querer ainda mais estar perto de produto tão rico no nosso país, obrigado” disse Fernando Menoncello, aluno de São Paulo.

Festival #fujadopadrao

O Festival contou as deliciosas pizzas Dona Rosa e cervejas Urbana.

 

Ler artigo

288

Festival SerTãoBras do Queijo Artesanal

Cursos, Destaque, Queijo

8 de novembro de 2017

Vai ter queijos de Minas, queijos de São Paulo, queijos do Nordeste e do sul!

No próximo final de semana, 10 a 12 de novembro, a SerTãoBras celebra o queijo artesanal e a luta pelo leite cru.

Vamos degustar e discutir as condições de produção do queijo de leite cru brasileiro com produtores, comerciantes, autoridades sanitárias, políticos, chefs e consumidores que adoram queijo.

Estão programados cursos de formação (teoria e prática), o lançamento da segunda edição do Guia de Cura (versão revisada e ampliada), de autoria de Débora Pereira, Arnaud Sperat Czar e Sébastien Roustel, o lançamento da Associação Paulista do Queijo Artesanal, a mesa Redonda “Legalização dos Queijos de Leite Cru em São Paulo”, entre outros eventos. Para aquecer as papilas gustativas, vai ter uma feira de produtores de queijo, pizza no fogão a lenha, cerveja artesanal e música.

E para esquentar um forró no sábado dia 11 entre 19 e 22 horas!

PROGRAMA

Local: Rua Alberto Seabra, 1175, Pinheiros, São Paulo.

SEXTA FEIRA  – 10/11/2017

  • 9-12h: Curso de Gestão de Boutique de Queijo com Hervé Mons e Débora Pereira
  • 14:30h: Debate  “Artesanais querem sair da ilegalidade” no auditório do Estadão seguido do lançamento da 2ª Edição ampliada e revisada do Guia de Cura de Queijos.

SÁBADO – 11/11/2017

  • 9-22h Feira de Queijos
  • 9-12h e 14-17h : Curso de Cura de Queijos com Hervé Mons e Débora Pereira.
  • 18h: Lançamento da Associação Paulista do Queijo Artesanal e animação cultural.
  • 19h: Forró

DOMINGO – 12/11/2017

  • 9-17h Feira de Queijos
  • 9-12h: Oficina de queijos frescos com Hervé Mons e Débora Pereira.
  • 14-17h: Curso de Análise Sensorial com  Hervé Mons e Débora Pereira.

INVESTIMENTO

  • Curso de Gestão de Boutiques – R$260 – veja programa
  • Curso de Cura – R$ 530 – veja programa  Inscrições encerradas
  • Oficina de Produtos Frescos – R$260 – veja programa
  • Curso de Análise Sensorial – R$260 – veja programa
    Associados da SerTãoBras tem 5% de desconto.
    Inscritos em dois cursos têm 5 % de desconto, em três cursos têm 10% e em 4 cursos têm 15% de desconto.

Ler artigo

120

São João das Três Ovelhas – Serra da Mantiqueira

Destaque, Para Produtores, Produção, Produtores-mapa, Queijo

7 de novembro de 2017

São João das Três Ovelhas é uma pequena queijaria localizada no coração da Mantiqueira, a 1.600 metros de altitude. Chamada de Terra Fria, a região tem temperaturas bem abaixo da média da cidade – Gonçalves (MG).

A produtora rural e engenheira de alimentos Mariângela Abreu é a responsável pela produção na queijaria São João das Três Ovelhas. Ela cria ovelhas da raça alemã East-Frisean, raça predominantemente leiteira e muito antiga originária do Oeste da Republica Federal da Alemanha.

A propriedade está no coração da Mantiqueira, a 1.600 metros de altitude, na Terra Fria, município de Gonçalves que é uma região de temperaturas bem abaixo da média da cidade de Gonçalves, no sul de Minas Gerais.

“Nossas ovelhas vivem soltas, em equilíbrio com a natureza. Alimentam-se de gramíneas nativas e orgânicas, bebem água de fonte natural protegida e compõem a paisagem.”Mariângela diz.

Ovelhas da Queijaria São João das Três Ovelhas.

A criação de ovelhas começou em 2013. Em 2015 foi construída a queijaria e no ano seguinte a comercialização .

“Nossa atenção está no bem-estar animal, na riqueza genética, na produção de leite de alta qualidade, na preservação ambiental e na produção de derivados de leite de ovelha.” Mariângela diz.

O trabalho é feito com o rigor técnico e cultura artesanal. A produção é em pequena escala, com a menor automação possível, para manter a alta qualidade. Tudo isso, aliado ao frescor e silêncio das montanhas, é sentido no sabor e aromas do queijo. Queijos com presença, queijos com cultura gastronômica.

“Produzimos e maturamos queijos artesanais, respeitamos a tradição queijeira e consideramos também o desenvolvimento do presente.” Mariângela diz.

Mesa de queijos montada com os produtos da Queijaria São João das Três Ovelhas

A queijaria valoriza muito a aliança entre o  produtor e o consumidor. Um dos maiores orgulhos da queijaria é oferecer produtos naturais no conceito da”teta à mesa”.

“Pequenos produtores são peças fundamentais para geração de riquezas e de emprego no campo. Quando o consumidor compra direto do produtor, fomenta negócios rurais e riqueza local.” Mariângela diz.

Com a produção de queijos, a fazenda busca agregar valor a vocação gastronômica da pequena Gonçalves, que é grande em sua biodiversidade, tem topografia montanhosa e clima romântico.

A queijaria também recebe visitantes interessados em conhecer os produtos e a produção, as visitas são agendas pelo site São Jõao das três Ovelhas

Contatos:

Site

Facebook

Venda direta com o produtor através do email contato@tresovelhas.com.br

Pontos de Venda

São Paulo:  A Queijaria
Campinas:  Mater Organica
Ribeirão Preto: Vila Beef 

 

Ler artigo

107

Canastra Pingo de Amor – Fazenda Campo Alegre

Canastra, Destaque, Para Produtores, Produtores-mapa, Queijo

7 de novembro de 2017

Para Lucilha tudo começou muito cedo, quando ela ainda era criança ela teimava em ajudar sua mãe nos afazeres do queijo. Com 8 anos de idade ja sabia fazer a ordenha das vacas de forma manual. Sempre muito apegada à roça, ela teve dificuldades na cidade quando foi se dedicar aos estudos

“Sair pra cidade pra estudar foi uma época difícil, não me adaptei e na quarta série tive uma forte depressão, eu não estava no meu mundo.” Lucilha.

Canastra Pingo de Amor.

Ela ficou um ano tratando esta depressão em casa, neste período ela aprendeu mais sobre a fabricação do queijo e ficou responsável pelo curral e a queijaria da fazenda dos pais.

“Após o tratamento voltei pra escola mas, não me encaixava no mundo urbano e devagarinho fui voltando pra roça.” Lucilha.

Aos vinte anos Lucilha se casou com André e tiveram sua primeira filha a Luiza. No começo, eles ainda não criavam gado, mas a paixão de Lucilha pelo queijo foi crescendo e em 2012 eles começaram a se programar para começar a produção na fazenda do casal que fica nas Buracas, zona rural de São Roque de Minas.

Queijo Canastra Pingo de Amor produzido por Lucilha embalado para venda

“O André se associou à Aprocan e construímos o curral, começamos a produzir queijos na mesma época que Marina minha segunda filha nasceu .” Lucilha.

Eles criam cerca de 30 vacas em lactação.

“Procuramos sempre manter o número e investir para melhorar cada vez mais a qualidade do queijo, nosso gado é meio Holandês, Girolando e Caracu, de tudo um pouco”. Lucilha.

Grande parte da fazenda ainda é  campo nativo, numa altitude acima de 1150 metros e solo bastante arenoso. O terreno é cercada por pequenas matas nascentes de águas cristalinas.

Lucilha exibe orgulhosa os queijos Canastra de sua produção.

Hoje Lucilha trabalha na fabricação do queijo diariamente e uma ajudante ordenha as vacas e zela pela qualidade do leite. O Canastra Pingo de Amor participou do II prêmio queijo Brasil e foi premiado com prata e bronze.

“Resolvi ousar e arriscar alguns queijos especiais e levá-los ao III prêmio queijo Brasil e fomos premiados novamente em todos eles…Isso nos mostra que devagar estamos no caminho certo e tenho certeza que páginas dessa história surgirão diariamente.” Lucilha.

Lucilha e seu marido mantêm a simplicidade da vida no campo e transmitem isso para suas duas filhas que estão crescendo e aprendendo a valorizar e a cultura de sua região

“Marina adora os bichinhos que tem lá, cuida,de todos com muito amor… Luiza é muito responsável e já aprende a cuidar dos queijos” disse a mãe.

Marina, filha mais nova de Lucilha, abraçando o “Prosinha” na fazenda Campo Alegre.

Contatos

Facebook

E-mail: marialucilha@hotmail.com

Pontos de Venda:

Goiânia = Estância do Queijo Empório

Rio de Janeiro = Queijo com Prosa DariquimProdutos D.O.C

Brasília= Tarsitano Sabor de Origem

Belo Horizonte = Empório Nacional BH

São Paulo =Espaço de Minas

Campinas =Empório Fazenda

Aracaju=Queijeira Del Rey

Teresópolis =Coisas da Mantiqueira

Ler artigo