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(7) Comentários Economia

Queijo “de marca” na Serra da Canastra

São Roque de Minas, cidade coração do queijo da Serra da Canastra, está em festa. Foi lançada a marca “região do queijo da Canastra”, uma iniciativa do Sebrae Minas para valorizar o queijo artesanal a partir de soluções criativas de marketing.

Por Débora Pereira, 14 de dezembro de 2014

“Não somente criamos uma campanha publicitária, mas também organizamos viagens de compradores potenciais à região para conhecerem a história do queijo”, disse Ricardo Boscaro, analista de agronegócios do Sebrae Minas. Uma das ações previstas é a venda online.

Está previsto, ainda, o lançamento do site da marca, que será o endereço oficial da Associação dos Produtores de Queijo Canastra – APROCAN. Serão publicados os vídeos que contam a trajetória de cada um dos 25 produtores que participaram (assista os vídeos que já foram lançados).

 

 

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Marca criada por Daniel Guimarães, da 2DA Branding & Design.

 

A filosofia que guiou a execução do projeto é o entendimento que a riqueza do queijo não está somente no produto, mas na história dos fabricantes, suas tradições e modo de viver. E também, claro, na beleza das paisagens e na inigualável flora bacteriana da região da Serra da Canastra, que resulta em queijos com sabores bem diferenciados das outras regiões queijeiras de Minas Gerais. O processo de criação da marca começou em julho de 2013.

Como etapa preliminar, para ter conhecimento da situação social que envolve a produção artesanal de queijo, o Sebrae realizou, do começo de 2013 até julho de 2014, uma pesquisa em três regiões de Minas Gerais: Serro, Araxá e serra da Canastra. Foram entrevistados cerca de 800 pequenos produtores em cada região, com perguntas como quantidade da produção de leite, raça de gado, pastagem, desde quanto tempo fabricam, tamanho e localização da propriedade, mercado e modo de fazer o queijo.

 

Serra da Canastra, o bigode de Minas Gerais.

 

Após esse primeiro levantamento, a região da Serra da Canastra foi escolhida para um projeto experimental de fortalecimento da identidade visual do queijo, que poderá ser expandido para outras regiões.

São sete municípios autorizados a usar o selo de indicação geográfica Canastra: Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Pium-í, São Roque de Minas, Vargem Bonita e Tapiraí.

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São Roque de Minas: altitude, clima e natureza são fundamentais para o sabor do queijo da serra da Canastra. Foto de Débora Pereira

 

Junte-se aos ricos

A segunda parte consistiu em convidar produtores para participar de encontros mensais coordenados pelo Sebrae e pela Aprocam. Esses produtores são cadastrados no IMA ou estão em processo de cadastramento. “Nós sabemos que a oferta de queijo curado, legalizado, é pequena, por isso nosso trabalho motiva o produtor a se cadastrar e fazer a venda legalizada”, disse Ricardo. Para esses produtores, foram realizadas oficinas de cooperativismo e gestão de negócios, através do trabalho de uma técnica regional que trabalhou em campo.  “O público alvo para consumir esse produto é o que deseja se conectar com a região,

entrando no site para conhecer a história do produtor”, ressalta Ricardo. Ele enfatiza que a seleção dos produtores pelo critério do desejo de se cadastrar não é uma política excludente, pois o o objetivo é mostrar que estar cadastrado é uma via possível, rentável. “Quando os produtores clandestinos perceberem que os cadastrados estão ganhando mais vendendo queijo curado, eles vão se interessar em melhorar de vida também”, completa. Os produtores que participam são agricultores familiares e cada um cura seu queijo em sua propriedade, com exceção dos produtores de Medeiros, que utilizam o centro de maturação da cidade.

Três selos para agregar valor ao queijo

A partir de 2015, a marca “região do queijo da Canastra” será associada à da Indicação Procedência dada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) aos queijos da serra da Canastra. A  estratégia é pensada para valorizar os queijos com origem protegida e dificultar as falsificações. Nesse caso, espera-se que mais produtores se interessem em organizar sua produção e comercialização de maneira legal.

Para ser comercializado, além do selo da marca e do INPI, o queijo deve portar uma terceira certificação, a da vigilância sanitária,  que atesta as condições de produção. Segundo o presidente da Associação de Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), João Carlos Leite, será como a “maçãzinha da Apple, que diminui o risco de pirataria, a falsificação fica mais difícil”.

 

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Queijos curando na sala de maturação de Luciano Machado, em Medeiros, Minas Gerais. Por Leonardo Dupin

 

Curar aumenta valor econômico do queijo

“Eu acredito que não existe mercado se todo mundo resolver vender só queijo curado legalizado”, disse uma produtora que ainda não se animou a cadastrar. O motivo é que as exigências do IMA ainda são caras para a grande maioria e o caderno de normas exigido requer mudanças que não são rentáveis a curto prazo. Geralmente, o pequeno produtor não tem reservas para investir.

Para quem precisa recorrer ao comércio clandestino para vender seus queijos, o preço, no verão, quando o leite está mais barato, é em torno de R$6,50 o quilo, e o queijeiro busca o produto na propriedade rural. Os queijos curados com certificação podem ser vendidos pelo produtor a partir de R$25 e custar em torno de R$40 a R$80 o quilo em Belo Horizonte ou São Paulo.

 

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Queijo meia cura vendido em São Paulo a R$44,69 o quilo. Foto de Graça Cremon.

O canastra patrão

O Sebrae aposta também no lançamento de novos produtos. O produtor Guilherme Ferreira, de São Roque de Minas, lançou o Canastra Patrão, uma variação do Canastra Real, que está sendo vendido na Queijaria do Fernando, em São Paulo, por R$140 o quilo.

“O objetivo, lá no final, é melhorar a vida dos produtores e aumentar sua renda.”, afirmou Ricardo. “Sabemos que a grande preferência do mercado é o queijo meia cura, mas as vendas do queijo curado têm aumentado muito, as pessoas estão aprendendo a apreciar” completou.

 

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Queijo Canastra Patrão vendido por R$140 o quilo, na Vila Madalena em São Paulo. Foto de Fernando Oliveira

 

 

Embalagem que abre o apetite

No mesmo dia do lançamento da marca em São Roque de Minas, 10/12/2014, o Sebrae anunciou o resultado do prêmio Sebrae Minas Design. O vencedor da categoria Embalagem para Produtos do Agronegócio Mineiro foi Emanuel Lucas Neves, de Betim, que apresentou uma embalagem durável que possibilita ao consumidor dar continuidade à cura do queijo.

Ela é composta por duas peças de madeira cedrinho natural, com furos e rebaixos para a respiração do queijo, além de tampa de cerâmica branca esmaltada. O modelo acompanha uma outra embalagem, refil, em plástico, para o consumidor levar o queijo do comércio para casa. O produto deverá estar no mercado em breve.

7 Respostas para Queijo “de marca” na Serra da Canastra

  1. Flavio disse:

    Gostaria de obter contato de algum fornecedor pra compras no atacado…sou do litoral de sp.

  2. Queijeiro Ambulante disse:

    Olá Sérgio Higuti! Sou do zona sul de SP. E eu compro queijo dos produtores não cadastrados na APROCAN e faço a revenda destes mesmos em SP. São queijos de excelente qualidade e me atrevo a dizer, talvez até melhor do que muito queijo dos produtores cadastrados. Compro por 15 reais e revendo por 30. Se interessar?… Grato!

  3. Leila Passil disse:

    Olá Márcia, vc viu o nome do produtor ou número do registro no rótulo??

  4. Marcia disse:

    Gostaria de informar à Associação que comprei um queijo com a denominação da região de São Roque, que estava com varios pedaços de fios de cabelo negro. Alõ Alõ Anvisa!!!

  5. Sergio Higuti disse:

    Boa noite, aprecio o queijo da serra da canastra, onde comprar em São Paulo com preços honestos como os queijos feitos em Minas, especialmente na Canastra?

  6. FICO MUITO FELIZ E CONTENTE, POR ESSA NOTICIA DA CERTIFICAÇÃO DESSE PRODUTO, QUEIJO SERRA DA CANASTRA, ASSIM TODOS SAI GANHANDO EM TODOS PONTOS DE VISTA ECONÔMICO E SOCIAL. ASSIM SENDO, É SÓ FAZER A DIVULGAÇÂO, SE PRECISAR COLOCO-ME A DISPOSIÇÃO , NO CORPO A CORPO PARA A VENDA DO MESMO, POIS SOU MICRO EMPREENDEDOR NO FABRICO DE ALGUMAS PASTAS DE ORIGEM ÁRABE, ASSIM TAMBÉM NA FABRICAÇÃO DO QUEIJO CHANCLICHE ,TIPO ÁRABE, ARTEZANAL E TAMBÉM CERTIFICADO, ONDE FORNEÇO PARA VARIAS CONFEITARIAS DE BRASÍLIA-DF, E TAMBÉM POR ENCOMENDAS. POIS ,FAZER O QUE FAÇO ESTA NO MEU DNA, UMA VEZ QUE SOU TAMBÉM DA REGIÃO DE TAPIRA-MG, E MEUS AVOS SÃO DE SÃO ROQUE-MG , ONDE OS MESMOS ESTÃO REPOUSANDO NO CEMITÉRIO DE JOÃO BATISTA, OBRIGADO E ABRAÇOS .

  7. Lamentável apenas a inércia do governo em relação aos estudos técnico científicos preconizados na Instrução Normativa Nº 30/2013 do MAPA para propiciar a redução do período de maturação do queijo. Não que queiramos deixar de vender o legítimo Canastra que deve ser curado, mas simplesmente pelo fato de que nosso produto, por ser de leite cru, tem sua maturação extremamente ligada ao clima nas semanas que se seguem após sua fabricação e o clima de pé de serra muda de uma hora pra outra. No verão as bactérias tem outra dinâmica e o queijo matura muito mais rápido que no inverno, por exemplo.

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